INPN - O portal das revistas ImplatNews e PerioNews
 
Compartilhe  Compartilhe Twitter Imprimir Indique a um amigo
Publicado em: 5/4/2018 21h3

Gengivectomia e gengivoplastia na Periodontia atual

Marco Bianchini destaca que as técnicas cirúrgicas que envolvem estética têm um apelo grande entre os pacientes.

A gengivectomia é uma técnica bastante antiga, em que há somente excisão de tecido mole. A técnica é indicada para casos de hiperplasia gengival – pseudobolsas – fibromatose gengival idiopática, bolsas supraósseas rasas e pequenas correções visando estética. Também pode ser indicada em casos de sorriso por erupção passiva alterada, desde que a margem gengival fique posicionada a, pelo menos, 3 mm de distância da crista óssea, após a cirurgia. Por outro lado, a gengivectomia está contraindicada na ausência ou pequena faixa de mucosa ceratinizada, espessura acentuada do tecido ósseo marginal e bolsas infraósseas.

Atualmente, os procedimentos de gengivectomia e gengivoplastia se encaixam no tópico denominado “cirurgia plástica periodontal”. Esse tópico descreve todos os procedimentos que visam à prevenção e à correção dos defeitos gengivais, na mucosa alveolar e no osso, provenientes do desenvolvimento de traumas mecânicos e induzidos por placa, tendo como meta proporcionar tanto a estética quanto as funções apropriadas dos tecidos.

A gengivectomia pode ser executada de duas maneiras: incisão em bisel verdadeiro e em bisel inverso. A gengivectomia em bisel verdadeiro está indicada para casos que, além da correção em altura, necessitem da diminuição da espessura da gengiva. Já a gengivectomia em bisel inverso está indicada para casos que necessitem apenas de correção em altura do tecido gengival. As figuras 1 a 8 ilustram um caso de gengivectomia em bisel verdadeiro.

 

Figura 1 – vista frontal da região anterior inferior. Observar a hiperplasia gengival e os dentes 43-33 curtos e desalinhados. Optou-se pela técnica de gengivectomia com incisão em bisel externo (verdadeiro) para facilitar o controle de placa e melhorar a estética.

 

Figura 2 – imagem frontal após a marcação realizada com sonda milimetrada, onde o fundo da pseudobolsa é transferido para a porção externa da gengiva com uma sonda milimetrada, de modo a orientar a incisão principal.

 

Figura 3 – o gengivótomo de Kirkland é posicionado ligeiramente abaixo do ponto sangrante em direção à base do sulco. O objetivo é estabelecer o contorno fisiológico da gengiva.

 

Figura 4 – incisão principal realizada. Observar a extensão mesiodistal da incisão e a preservação de tecido ceratinizado abaixo da linha de incisão.

 

Figura 5 – incisão secundária. A partir da incisão principal, o gengivótomo de Orban é introduzido em direção coronal, diminuindo a espessura e altura das papilas.

 

Figura 6 – vista frontal após a remoção do colarinho de tecido mole, realizado com o auxílio de curetas. Observar a diminuição da espessura gengival, porém ainda sem forma definida.

 

Figura 7 – pós-operatório imediato após finalizado o recontorno e plastia gengival. Para esse recontorno e acabamento final, pode-se utilizar alicate de cutícula, gengivótomo de Kirkland, curetas de Goldman Fox e brocas diamantadas (o objetivo é estabelecer um contorno fisiológico e uma margem gengival biselada, além de sulcos de escape na região interproximal). Observar a nova forma gengival respeitando os detalhes anatômicos.

 

Figura 8 – controle de 6 meses. Observar a nova anatomia gengival com aspectos de normalidade. Comparar com a figura 1.

 

Mesmo sendo uma técnica bastante antiga, a gengivectomia seguida de gengivoplastia ainda pode ser bastante utilizada atualmente, principalmente devido ao apelo estético que a geração atual requisita nos dias de hoje. Dentro desse contexto, acredito que em muitas situações poderá haver uma sobreindicação dessa técnica, principalmente em pacientes que removem um aparelho ortodôntico e não aguardam um tempo de pelo menos 60 dias para reavaliar o comportamento gengival.

As técnicas cirúrgicas que envolvem estética têm um apelo grande entre os pacientes. Porém, a responsabilidade do cirurgião-dentista é enorme, uma vez que é ele quem vai dar a palavra final na decisão por se realizar ou não uma técnica, no nosso caso aqui, a gengivectomia. Assim, é importante alertar ao paciente que existem várias maneiras de se corrigir um problema estético gengival (Ortodontia, Harmonização Facial, Dentística Restauradora etc.) e a gengivectomia é mais um desses recursos. Todos eles podem se tornar eficazes se realizados em conjunto e tiverem o seu foco na melhora do conjunto estético-funcional.

Colaborou: Dr. João Gustavo de Souza.

 

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Todo o ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo o ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. (João 15, 1-3)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 



E-mail
Cadastre seu e-mail e receba nossas Newsletters