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Publicado em: 6/22/2018 25h3

Será que vale a pena insistir nos hexágonos externos?

Marco Bianchini questiona as vantagens dos implantes cone-morse e quando devemos usar cada um deles.

Eu costumo criticar, usualmente, o uso exacerbado dos implantes cone-morse para todas as situações clínicas que nos defrontamos no nosso dia a dia como implantodontistas. Geralmente, eu postulo que não podemos jogar no lixo todas as evidências científicas que os implantes tipo hexágono externo nos trouxeram. Desta forma, venho falando rotineiramente que podemos perfeitamente continuar a usar os hexágonos externos em algumas situações, desde que observemos todos os seus protocolos de utilização, principalmente no que diz respeito às distâncias biológicas peri-implantares, que envolvem o posicionamento intraósseo do implante e a distância entre implantes e dentes adjacentes.

Para contrapor esta minha opinião, nada melhor do que um caso tratado por mim mesmo, com controle de cinco anos. Isto ocorreu no meu consultório particular, há alguns meses, e realmente me fez refletir sobre o assunto. Um paciente que havia colocado implantes comigo retornou com um problema no dente 47. Na solicitação dos exames radiográficos preliminares, eu pude observar uma intensa formação óssea sobre os implantes que eu havia feito há cinco anos. As Figuras 1 a 5 ilustram todo este caso.

 

Figura 1 – Corte panorâmico de tomografia volumétrica cone-bean para planejamento geral e colocação de implantes imediatos na região do 36 e 46.

 

Figura 2 – Radiografias periapicais três meses após a colocação dos implantes, no momento do planejamento da cirurgia de reabertura e confecção das próteses. Observar a boa posição intraóssea dos implantes, como recomenda o protocolo de colocação dos implantes cone-morse.

 

Figura 3 – Controle de cinco anos após a colocação das próteses sobre os implantes 36 e 46. Observar a formação óssea sobre a cabeça dos implantes, com uma aproximação importante do intermediário protético. Observar, também, a exodontia indicada do elemento 47 (motivo da consulta atual do paciente).

 

 

Figura 4 – Radiografias interproximais dos implantes (que nos deram uma melhor relação do osso interproximal), demonstrando uma intensa formação óssea na região de transição do implante para o intermediário protético.

 

Figura 5 – Cortes tomográficos da região do 46 confirmando a intensa formação óssea sobre a plataforma do implante em direção ao intermediário protético.

 

Casos como este nos dão a oportunidade de avaliar implantes colocados anteriormente, e já com um bom tempo de pós-operatório (neste caso, cinco anos, o que é bastante razoável). Estas reavaliações e controles ao longo do tempo deveriam ser feitos corriqueiramente. Entretanto, todos nós acabamos deixando de realizá-los, até pela dificuldade que temos de fazer os pacientes retornarem ao consultório.

Os implantes cone-morse ou plataforma switching já estão completamente sedimentados no mercado. Isso acontece por conta das comprovações científicas que eles apresentam, principalmente no quesito de manutenção óssea peri-implantar na zona de risco da Implantodontia, que é a transição entre o implante e a plataforma do implante. Sua utilização é bastante recomendada, principalmente em áreas estéticas, onde necessitamos de manutenção da altura e perfil dos tecidos moles, o que pode ser perdido, caso tenhamos qualquer reabsorção óssea.

Quando estamos fora de áreas estéticas, os hexágonos externos podem resolver perfeitamente o problema de ausência dentária do paciente. Se respeitarmos os protocolos de utilização de implantes com este tipo de plataforma hexagonal (que é colocar a plataforma acima do tecido ósseo), certamente teremos sucesso nos casos. Isto a literatura nos mostra com uma imensidão de artigos. Entretanto, quando realizamos um controle semelhante a este caso que apresentei hoje e nos deparamos com tamanha formação óssea, a reflexão é inquestionável.

Mesmo com todos os resultados positivos apresentados com o uso dos hexágonos externos, é muito difícil – eu diria quase impossível – termos uma neoformação óssea com esta intensidade em implantes que são colocados acima da crista óssea. Para quem fala de peri-implantite como eu, são indiscutíveis as vantagens e a proteção que esta formação óssea oferece. Será que vale a pena insistirmos nos hexágonos externos, se temos tantas vantagens assim nos implantes cone-morse? – uma questão para refletirmos.

 

“Eu me lembrarei das obras do Senhor; certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas de outrora. Meditarei também em todas as tuas obras e falarei dos teus grandes feitos. O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?” (Salmos 77, 12-13)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 


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