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Publicado em: 7/27/2018 91h2

Osteoporose: quais preocupações o implantodontista precisa ter?

É recomendada a realização de implantes dentários em pacientes com osteoporose? Marco Bianchini analisa os cuidados a serem tomados.

A osteoporose é uma doença metabólica do tecido ósseo caracterizada pela perda gradual de massa, enfraquecendo os ossos por deterioração da microarquitetura tecidual devido à perda progressiva de elasticidade e homogeneidade. Uma das consequências é a diminuição da quantidade óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis às fraturas. Já a osteopenia é a diminuição de massa óssea, causada pela perda de cálcio. Ela pode ter, como consequência, a osteoporose. A osteopenia não é uma doença e pode ser corrigida, podendo evoluir para a osteoporose se permanecer por um longo período.

A osteoporose é uma doença caracterizada pela perda de densidade mineral óssea. Conforme ela progride, o osso afetado apresenta aumento da propensão à fratura. Por ser uma enfermidade silenciosa, a osteoporose revela sintomas claros somente depois da ruptura – mais frequentemente na coluna, no punho e no quadril. Alguns dos fatores de risco para a osteoporose são: aumento da idade; gênero e etnia; mulheres magras ou com ossos pequenos; menopausa; falta de exercícios físicos e propensão a quedas; medicação (glicocorticoides e anticonvulsivantes) ou doenças; ingestão excessiva de álcool ou cafeína; tabagismo; níveis altos de hormônios da tireoide e bebidas gasosas.

Na relação entre osteoporose e periodontite, acredita-se que a primeira não seja um fator etiológico, mas que pode aumentar a severidade da segunda, principalmente em casos de periodontite já estabelecida. O comprometimento da massa da densidade da maxila ou da mandíbula, em um paciente com osteoporose sistêmica, também pode ser associado ao aumento da taxa de perda óssea ao redor dos dentes ou dos rebordos alveolares sem dentes.

Quando extrapolamos esta relação para os implantes osseointegrados, ela também se torna importante por razões óbvias. Embora a maioria dos autores considere que a osteoporose não contraindica o tratamento com implantes, uma atenção maior deve ser dada aos pacientes que apresentam esta enfermidade, principalmente no sentido de esclarecer a eles quais os conceitos atuais que norteiam este assunto.

Na verdade, a maioria dos estudos que avaliaram a associação entre a baixa densidade mineral óssea sistêmica e a perda óssea alveolar mostrou resultados significativamente positivos. A perda óssea sistêmica, por exemplo, mostrou uma relação com a perda óssea alveolar interproximal em mulheres na pós-menopausa com osteopenia. Assim, pode ser um indicador de risco para o colapso periodontal. Uma vez estabelecida esta relação, e sabendo-se que a periodontite prévia é um indicador de risco para a peri-implantite, constata-se que a osteoporose também pode comprometer a sobrevivência dos implantes em longo prazo, embora esta afirmação careça de estudos longitudinais que a tornem uma evidência.

O futuro pode criar estratégias para tratar a osteoporose, a doença periodontal e a peri-implantite. No que tange à doença periodontal e à peri-implantite, os tratamentos já são bastante conhecidos, seguindo o modelo de terapia periodontal de descontaminação. A terapia da osteoporose, por sua vez, é um campo que está mudando rapidamente. Algumas alternativas atuais são: dieta adequada e administração de cálcio; suplementos de vitamina D; terapia de reposição hormonal; calcitonina; bifosfonatos e alendronato; fluoreto de sódio e exercícios de musculação. O grande desafio é combinar terapias que sejam efetivas e que não comprometam o tratamento de uma enfermidade em detrimento de outra, como parece acontecer com um pequeno percentual de pacientes que fazem uso dos bifosfonatos.

Assim, torna-se necessário que o cirurgião-dentista implantodontista fique atento aos pacientes que sofrem de osteoporose. É importante verificar sempre quais medicações estes pacientes fazem uso para o tratamento da enfermidade. Além disso, sabemos que a ciência frequentemente muda conceitos. O que era no passado pode não vir a ser mais. Logo, mesmo sabendo que atualmente a comunidade científica não contraindica o uso de implantes dentários em pacientes com osteoporose, é de boa conduta que nós, implantodontistas, façamos um acompanhamento mais rigoroso e mais regular nestes pacientes, que poderão apresentar perdas ósseas peri-implantares indesejáveis.

 

“Senhor, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem misericórdia de mim, Senhor, pois sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão abalados. Até a minha alma está perturbada; mas tu, Senhor, até quando?. Volta-te, Senhor, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade.” (Samos 6,1-5)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 


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