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Publicado em: 8/24/2018 91h7

O que precisamos saber sobre a peri-implantite?

Marco Bianchini considera essencial que os implantodontistas saibam os conceitos básicos do diagnóstico e do tratamento da doença.

Há algumas semanas, publicamos aqui neste espaço informações sobre a nova classificação das doenças peri-implantares. Apesar das novidades, alguns pontos apresentaram poucas mudanças. Assim, continua sendo de suma importância que o clínico em Implantodontia saiba o básico sobre a peri-implantite. Desta forma, vamos hoje procurar resumir os conceitos básicos do diagnóstico e tratamento da doença.

O termo peri-implantite é designado para patologias infecciosas destrutivas dos tecidos de suporte de implantes dentários em função protética. Trata-se de uma infecção com sangramento ou supuração, associada à perda óssea. Esta perda óssea caracteriza-se por ser progressiva, com significado clínico e, por ocorrer após a resposta biológica, relacionada com a fase de adaptação do implante. Caso não seja tratada e eliminada, a infecção pode progredir até a completa perda da ancoragem óssea do implante e, por consequência, a perda total do implante.

O tratamento da peri-implantite, na maioria dos casos, ainda baseia-se no paradigma da semelhança microbiana com a doença periodontal. Por isso, as mesmas terapias empregadas no tratamento da doença periodontal vêm sendo estudadas e discutidas na literatura como métodos para tratamento da peri-implantite.

Algumas lesões iniciais da peri-implantite podem ser eliminadas de forma eficaz através de tratamento não-cirúrgico, baseado na instrumentação mecânica, e que pode ser realizada com curetas plásticas, metálicas ou dispositivos de ultrassom. O objetivo principal é remover as bactérias, desorganizando o biofilme e possibilitando o reparo. Entretanto, muitas vezes, esta terapia não-cirúrgica não se faz efetiva para lesões mais profundas.

Nestas lesões peri-implantares mais avançadas, necessita-se de uma intervenção cirúrgica adicional para a resolução da doença. A intervenção cirúrgica faz-se necessária dada a inviabilidade da limpeza completa da superfície irregular do implante (roscas) sem o acesso e visualização direta. Desta forma, a fase não-cirúrgica pode e deve tratar ou preparar os implantes doentes para a fase cirúrgica.

As terapias de tratamento com acesso cirúrgico podem ser empregadas individualmente ou combinadas. São citadas dentre as diversas técnicas descritas na literatura: instrumentação mecânica, osteoplastia, descontaminação química, enxerto de tecido mole, enxerto ósseo (autógeno ou substitutos) e modificação da superfície do implante através do alisamento das roscas desse, também conhecida como Implantoplastia.

A partir da disponibilidade de variadas técnicas, muitas dúvidas permanecem sobre qual tratamento deve ser realizado. Não há consenso sobre qual intervenção poderia trazer o melhor resultado e prognóstico para a cura para a doença. Assim, torna-se necessário realizar, ampliar e discutir estudos com comparações de diferentes modalidades de tratamento. Somente a evidência científica pode orientar o clínico com segurança e determinar por qual intervenção deve-se optar frente a um quadro de peri-implantite.

Enquanto o consenso dos tipos de tratamento da peri-implantite não vem, cabe a nós, implantodontistas, prevenir o aparecimento deste problema através da realização de um planejamento correto, que coloque os implantes em uma posição protética viável, que não provoque acúmulo excessivo de biofilme e que facilite a manutenção realizada tanto pelos pacientes como por nós profissionais.

Caso a doença peri-implantar apareça, os métodos de descontaminação, sejam eles químicos e/ou mecânicos, ainda são as melhores maneiras de combatê-la. Vale lembrar que, na maioria das vezes, a técnica será cirúrgica, com uma abertura de retalho para o acesso direto à lesão. Além disso, não podemos esquecer que todo o paciente operado para tratar uma peri-implantite deve ser acompanhado ad eternum para evitar que a lesão recidive e, se recidivar, que seja novamente tratada.

Como podemos observar, não há nada de novo nestas terapias para quem está acostumado a tratar dentes com doença periodontal.
 

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.
Ó meu Deus, dentro de mim a minha alma está abatida; por isso lembro-me de ti desde a terra do Jordão, e desde os hermonitas, desde o pequeno monte”. Salmos 42:5,6

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 



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