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Publicado em: 9/14/2018 10h39

Dentistas na Política

Marco Bianchini defende a participação ativa e inteligente dos dentistas no processo político.

Uma das frases mais interessantes que pipocam na internet nos últimos meses é: “Somente os tolos acreditam que política e religião não se discute. Por isso, ladrões continuam no poder e falsos profetas continuam a pregar.” Essa frase é atribuída ao escritor Clive Staples Lewis e se aplica muito bem aos nossos dias atuais. Na fase que vivemos atualmente em nosso país, especialmente na Política, este pensamento cai muito bem e serve para uma reflexão muito interessante da nossa classe. Será que vale a pena mesmo discutir Política, uma vez que nós, dentistas, possuímos pouca experiência nesse campo?       

Clive Staples Lewis, comumente referido como C. S. Lewis, nasceu na Irlanda (Belfast –1898) e faleceu na Inglaterra (Oxford –1963). Dentre outras atividades, ele foi professor universitário, escritor, romancista e poeta. Sua vida foi marcada por uma constante mudança de opiniões e autocríticas. Apesar de ter sido criado ao longo da infância dentro das tradições da Igreja da Irlanda, se tornou um ateu convicto em sua adolescência, seguindo essa linha de convicção pessoal até o início de sua idade adulta. Nesta altura, por intermédio de John Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), mudou de opinião e voltou a professar a fé cristã, se tornando um árduo defensor do Cristianismo até o fim de sua vida e carreira.

O exemplo de C.S Lewis me traz conforto quando o campo é a Política. Acredito que, como eu, muitos de nós já se decepcionaram com algum candidato ou partido em quem tenhamos votado. E acredito mais ainda que, depois dessa decepção, houve uma mudança de rumo e passamos a votar no lado oposto, acreditando ser agora o caminho correto. O resultado disso, infelizmente, foi a percepção de que tínhamos errado novamente. Essa sucessão de escolhas erradas nos levaram a abandonar o voto, abandonar as discussões políticas e nos voltarmos totalmente para os nossos consultórios, pois trabalhar vale mais a pena do que perder tempo com políticos. Esse é um grave erro, pois como já disse Paulo Francis: “Só idiotas não mudam de opinião.”

O grande problema desse ato de dar as costas para a Política é que são os políticos que acabam dirigindo o nosso país e as suas decisões têm uma influência direta em nossas vidas. Seja no campo pessoal e, principalmente no econômico, que reflete no pão  nosso de cada dia. Assim, não há como fugir! Querendo ou não, a Política está presente no nosso dia a dia e vai nos assombrar ainda mais, como um fantasma das trevas, se não participarmos dela com responsabilidade.

Os acontecimentos da semana passada, que culminaram com uma tentativa de assassinato do candidato à presidência, Jair Bolsonaro, somado ao assassinato da vereadora Marielle Franco, em março, no Rio de Janeiro, mostram que não podemos ficar à margem deste processo. Obviamente que são crimes com perfis diferentes, mas a motivação de ambos foi claramente política. É preciso que, como cidadãos, nós, dentistas, tenhamos o desprendimento de participar do processo político. Participar não significa empunhar uma bandeira e sair pela rua defendendo o seu candidato e crucificando outro. Participar significa, primeiramente, obter informações corretas e de fontes seguras sobre a pessoa que você pretende votar. Isso importa mais do que dizer se você é de esquerda ou de direita. Defender a verdade dos fatos é a obrigação que um bom dentista deve ter.

Todos nós temos nossas próprias opiniões e crenças, que acreditamos serem as melhores para o país. Se você acredita que o nosso Estado está inflado e que precisamos de privatizações, procure os candidatos que defendem esta tese. Por outro lado, se você acredita que as estatais não devem ser extintas, mas sim moralizadas, com uma distribuição mais correta dos impostos que pagamos, procure os candidatos que defendem esta bandeira. As escolhas irão se suceder nos mais variados campos de problemas que temos no Brasil, como segurança, economia, saúde e educação. Todos os candidatos têm propostas. Veja aquela que mais lhe agrada, informe-se bem sobre ela, escute aqueles que se opõem a proposta que você acredita ser a correta, e depois faça a sua escolha.

O que importa, mais do que definir “em qual lado você está”, é a nossa participação ativa e inteligente nesse processo. Somos parte de uma parcela minúscula da população que conseguiu concluir o ensino superior. Somos formadores de opinião por natureza. Nossos alunos nos escutam, nossos colaboradores nos questionam e nossos colegas nos confrontam. Todos eles – amigos, pacientes e funcionários – querem saber em quem vamos votar. É preciso ir a fundo e buscar a verdade dos fatos que estão sendo colocados para nós, seja pela imprensa ou pelas redes sociais. Necessitamos tratar a Política com muito mais seriedade do que estamos fazendo. Temos muita responsabilidade nesse processo!
 

“Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Isaias 52, 7).

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 


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