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Publicado em: 10/26/2018 10h33

Implantoplastia modificada traz bons resultados

Marco Bianchini apresenta uma estratégia promissora para tratar a doença peri-implantar e prevenir a perda precoce de implantes.

Diversas terapias cirúrgicas têm sido propostas para estabilizar os danos provocados pela peri-implantite e parar a progressão da perda óssea peri-implantar. Apesar de polêmica para alguns pesquisadores, a implantoplastia tem sido sugerida como uma estratégia promissora para tratar a doença peri-implantar e prevenir a perda precoce de implantes.

O nosso grupo, aqui de Florianópolis (SC), vem trabalhando nas implantoplastias há algum tempo. Os resultados têm sido promissores e já começaram a ser publicados. No último encontro da Academia Europeia de Osseointegração (EAO), apresentamos um painel com alguns resultados preliminares. Foi um estudo de acompanhamento de dois anos, que avaliou a taxa de sucesso e resultados clínicos de 23 casos de peri-implantite tratados através de uma terapia combinada de cirurgia ressectiva/implantoplastia. (clique aqui para ler o artigo).

A implantoplastia consiste no desgaste das roscas ou espiras dos implantes que sofreram contaminação e perdas ósseas. Esse desgaste geralmente é feito através do uso de brocas diamantadas em alta rotação. Nosso estudo modificou ligeiramente esta técnica, procurando, além do desgaste das espiras, realizar também um “acinturamento” da parte mais coronária dos implantes que foram acometidos pela peri-implantite. Esta modificação visou aproximar o design dos implantes tratados – que eram de plataforma hexagonal – ao formato dos implantes cone-morse ou plataforma switching. Observe os detalhes na Figura 1.

Figura 1 – Ilustração para entendimento da peri-implantite e seu tratamento através da implantoplastia modificada, que altera o macro-desenho da parte mais coronária do implante.

 

Os resultados desse estudo demonstraram uma interessante taxa de sucesso desta terapia, exibindo estabilidade óssea peri-implantar em 21 dos 23 casos tratados (91,3%). Apenas um implante foi perdido após um ano de tratamento, apresentando taxa de falha de 4,3%. Dor e supuração foram resolvidas em 22 casos (96%) e nenhum dos casos relatou fratura do implante.

Considerando que não há tratamento padrão-ouro para a peri-implantite, a taxa de sucesso de dois anos de acompanhamento dessa técnica modificada de implantoplastia parece ser promissora. Ela impediu a perda óssea progressiva e eliminou os sinais e sintomas da peri-implantite em mais de 90% dos casos. É importante ressaltar que essa terapia também mostrou ganho ósseo em superfícies lisas (modificadas após a implantoplastia) em 13% dos casos, que é o objetivo mais desejado quando estamos tratando a peri-implantite.

Obviamente, mais estudos clínicos são necessários, com acompanhamentos longitudinais de longo prazo, para consolidar a eficiência e relevância dessa nova técnica para o tratamento da peri-implantite. Contudo, é inegável que a modificação, através do alisamento das espiras e superfícies contaminadas dos implantes, parece oferecer um ambiente favorável à cicatrização adequada dos tecidos moles e à eliminação das perdas ósseas progressivas.

 

“Eis a aliança que farei com a casa de Israel a partir daquele dia – oráculo do Senhor: colocarei a minha lei no seu coração; vou gravá-la no seu coração. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Então, ninguém mais precisará instruir seu próximo ou irmão, dizendo: aprende a conhecer o Senhor. Porque todos me conhecerão, grandes e pequenos – oráculo do Senhor, pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados.” (Jeremias 31:33-34)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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