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Publicado em: 11/16/2018 75h0

Congresso de Periodontia debate o uso de biomateriais

Marco Bianchini evidencia a procura dos pacientes por técnicas menos invasivas durante o Congresso da Academia Americana de Periodontia.

No final do mês passado, eu tive a oportunidade de participar como congressista do 104o Congresso da Academia Americana de Periodontia (AAP), que ocorreu na cidade de Vancouver, no Canadá. Este evento é muito tradicional, pois ocorre há mais de 100 anos e reúne muitas associações menores de periodontistas, que fazem seus encontros dentro do próprio congresso da AAP. Tive a oportunidade de assistir a algumas dessas reuniões, nas quais palestras foram ministradas e painéis científicos expostos. A tendência que observei foi um forte enfoque para as cirurgias plásticas periodontais.

Logo no primeiro dia do congresso, eu passei uma manhã inteira assistindo a palestras da Academia de Periodontia do Japão. Foram cinco palestras sobre estética periodontal e peri-implantar. O que me causou uma certa surpresa, pois eu acreditava que o Brasil seria ainda o País onde se busca, com maior empenho, resoluções cirúrgicas estéticas para defeitos periodontais e peri-implantares. Na verdade, esta já é uma preocupação e uma tendência mundial, como pude confirmar no encontro dos japoneses. Sempre muito pragmáticos, os orientais geralmente primavam pela função antes da estética. Entretanto, o mundo hoje está muito conectado e a estética ganha cada vez mais força. Além dos belos casos mostrados pelos japoneses, o silêncio na sala e o respeito pelos palestrantes era espetacular. A voz que se ouvia na plateia era apenas a minha conversa, aos sussurros, com mais duas colegas periodontistas brasileiras.

Marco Bianchini foi premiado no 104o Congresso da Academia Americana de Periodontia. (Foto: arquivo pessoal)


A Sociedade Internacional de cirurgiões-plásticos periodontais, fundada e ainda comandada pelo Professor Miller (aquele mesmo da classificação de Miller, da década de 1980), também estava presente no congresso, mostrando ainda mais alternativas para os recobrimentos radiculares e defeitos estéticos periodontais e peri-implantares. Alguns membros dessa Sociedade também ministraram palestras. Além das técnicas já bastante conhecidas, como os enxertos de conjuntivo e suas variações, uma tendência que eu observei foi a procura intensa por substitutos desses enxertos, utilizando biomateriais para diminuir a morbidade da técnica. Os pacientes estão cada vez mais procurando técnicas menos invasivas, que não os deixem com pós-operatórios muito complicados. Esta busca dos pacientes faz com que os pesquisadores corram atrás desses biomateriais. Alguns já vêm demonstrando bons resultados, como é o caso do Fibro-Gide, da Giestlich. É uma tendência irreversível, que deve dominar os mercados nos próximos anos.

Mesmo com estas fortes tendências para o uso de biomateriais como substitutos das áreas doadoras tradicionais de tecido conjuntivo – e até mesmo de tecido epitelial – pude observar que a maioria dos clínicos e professores ainda preferem as áreas doadoras tradicionais intraorais. Nas conversas de corredor, eu notei que existe certo receio em adotar totalmente o uso desses biomateriais. Acredito que este é um comportamento natural da classe odontológica, sempre que um tratamento de vanguarda começa a aparecer. A cautela ganha força, até que se prove o contrário.

Pessoalmente, acho que essa resistência aos biomateriais substitutos de enxertos de tecidos moles vai desaparecer na medida em que estes biomateriais demonstrarem a sua real efetividade, com estudos de longo prazo que já começam a aparecer. Enquanto isso não ocorre, muitos de nós continuaremos a usar áreas doadoras do palato ou da túber, para desespero dos pacientes.

 

“Convém lembrar: aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará. Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria. Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras.” (2 Corintios 9;7-8)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br



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