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Publicado em: 1/25/2019 81h7

É possível evitar a fratura de implantes?

Marco Bianchini detalha a relação entre estresse protético e funcional, e debate o tratamento oclusal pertinente para esses casos.

A fratura de um implante dentário é um evento não tão frequente em nossas clínicas. Muitos autores classificam este problema como um acontecimento raro na Implantodontia. Assim como a peri-implantite, a fratura de implantes é considerada uma falha tardia, pois envolve implantes previamente osseointegrados. Apesar de ser rara, ela pode causar problemas significativos, tanto para os profissionais quanto para os pacientes, quando ocorrer.

Sugere-se que estas fraturas estejam relacionadas ao estresse protético e funcional, associados à perda progressiva do osso. Além disso, defeitos no projeto e manufatura do implante, fadiga do metal, peri-implantite, ajuste inadequado da estrutura protética e concentração de estresse em determinadas áreas do cilindro podem contribuir para o aumento dos riscos de fratura de implantes dentais. Contudo, embora todas estas causas tenham certa influência, o bruxismo e os hábitos parafuncionais são os maiores responsáveis pelas fraturas dos implantes. Dependendo de sua força, frequência, duração e direção, a parafunção pode levar à fratura do implante, mesmo que este esteja totalmente inserido no osso, sem nenhuma perda óssea precoce.

Geralmente, a região mais frequente das fraturas é a posterior, tanto em mandíbula quanto em maxila. Contudo, tratando-se de parafunção (bruxismo), sabemos que os problemas podem ocorrer em qualquer região da boca.

Outro detalhe interessante é que, na maioria dos casos observados, a fratura da prótese ou do parafuso do pilar precedeu a fratura do implante. Seria como se o afrouxamento ou fratura de parafusos protéticos estivessem nos avisando de um risco eminente de fratura do implante. As figuras de 1 a 4 ilustram dois casos de fratura de implantes.

Figuras 1 e 2 – Radiografias panorâmica e periapical com implante fraturado na região do 13-14. Observar que já existia pequena perda óssea peri-implantar prévia neste implante.

 

Figuras 3 e 4 – Corte tomográfico de implante fraturado na sua porção mais coronal, e radiografia periapical do novo implante que foi colocado na mesma região após a remoção do implante fraturado. Observar que já existe uma leve descontinuidade do padrão ósseo na mesial do novo implante, que pode ser o início de uma reabsorção ou uma remodelação oriunda do trauma da remoção do implante fraturado.

 

Uma vez detectada a fratura, devemos procurar remover logo esse implante fraturado da boca do paciente e, se possível, colocar outro em seu lugar, para que a reabilitação oral seja mantida adequadamente. Entretanto, identificar a causa deve ser uma obrigação do implantodontista, sob pena de que a fratura venha a se repetir no novo implante que será colocado. Como falamos anteriormente, existem vários fatores que podem levar um implante a fraturar. Entretanto, o maior deles parece ser o bruxismo. Assim, além de descartar problemas de defeitos no projeto e manufatura do implante, fadiga do metal, peri-implantite, ajuste inadequado da estrutura protética e concentração de estresse protético, deve-se primar por um tratamento da parafunção, que é o grande vilão das fraturas.

Assim, os pacientes que sofrem com fraturas de implantes devem receber o tratamento oclusal pertinente: ajuste oclusal minucioso, placas de proteção miorrelaxantes e aplicação de toxina botulínica no masseter, para aliviar as tensões mastigatórias em parafunção. Esta cobertura terapêutica de procedimentos pode parecer exagerada em um primeiro momento. Mas, na realidade, ela visa proteger o paciente e o profissional de futuros percalços, pois quem já teve a experiência de perder vários implantes por fratura em um mesmo paciente sabe do que eu estou falando.

 

“Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido para sempre; por vossa justiça, livrai-me! Inclinai para mim vossos ouvidos, apressai-vos em me libertar. Sede para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza bem armada para me salvar.” (Salmos 31:1-3)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           



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