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Publicado em: 2/8/2019 11h06

As belezas e dificuldades do Ciosp

Marco Bianchini compartilha um pouco da sua experiência no 37º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.

A semana passada culminou com mais uma edição do Ciosp – Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo. Sob o tema “Odontologia: Educação, Pesquisa e Excelência Clínica”, a edição de número 37 do congresso abriu oficialmente a temporada de eventos de Odontologia no Brasil. Os organizadores estimavam que cerca de 100 mil profissionais compareceriam ao Expo Center Norte nos quatro dias de evento. Eu estive lá durante dois dias e pude confirmar que o movimento foi realmente muito intenso.

O Ciosp é, hoje, um dos maiores eventos de Odontologia do mundo, que se supera a cada ano em recorde de público. Além das diversas palestras espalhadas pela grade oficial do evento e pelos estandes das empresas, a feira comercial é realmente espetacular, dando um incremento especial ao congresso. A Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), entidade com mais de 100 anos de história, sediada no estado de São Paulo e com mais de 40 mil associados, é quem promove e organiza o Ciosp, há 62 anos, mesmo antes dele se chamar Ciosp.

Na verdade, o 1o Congresso Odontológico Paulista aconteceu em 1957, na tradicional Galeria Prestes Maia, no centro da cidade de São Paulo. O evento foi idealizado pela APCD para reunir profissionais e instituições da área, sendo chamado de Congresso Paulista de Odontologia. A partir de 1970, passou a ser realizado bienalmente, sem interrupção. Tamanho sucesso, tradição e repercussão em níveis nacional e mundial levaram a APCD a decidir realizá-lo anualmente. Foi então que surgiu o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp), como o conhecemos hoje.

Acredito que quase 100% dos dentistas já visitaram o Ciosp pelo menos uma vez na vida, seja como estudante ou dentista já formado. É um evento que mora no coração de todos nós. Ele é quase como uma promessa que devemos pagar todos os anos, ao comparecer no evento. Lá, todo mundo se encontra e se anima para o ano de trabalho que está vindo pela frente. Entretanto, nem tudo são flores no Ciosp. Esta intensa movimentação de pessoas gera uma série de problemas, difíceis de solucionar, mas que precisam ser repensados pela comissão organizadora.

Os problemas começam já para chegar ao evento. O trânsito fica totalmente enlouquecido nos arredores do Expo Center Norte, com ruas estreitas que dificultam o desembarque. É comum observar congressistas desembarcando dos carros de transporte ou ônibus e fazendo o trajeto final a pé. Independente da localização do seu hotel, você vai travar nos arredores do Ciosp. É preciso se planejar para chegar bem antes e ter muita paciência.

Uma vez que você adentra as dependências do Expo Center Norte, você pode acreditar que os seus problemas acabaram, mas não é bem assim. Mesmo com o ar condicionado funcionando muito bem (este ano estava sensacional) e amenizando o calor, o intenso movimento de pessoas acaba enchendo determinadas ruas e você não consegue se movimentar. As filas imensas para brindes que algumas empresas fornecem dobram os quarteirões. É incrível ver tantos colegas se aglomerarem para ganhar apenas um estojo de higiene oral.

Outro aspecto que chama bastante a atenção são as palestras. As da grade oficial, realizadas nas salas específicas, são muito bem organizadas e oferecem boas condições aos ouvintes e ao próprio palestrante. Porém, as palestras ministradas nos estandes da feira comercial já funcionam de uma forma diferente. Muitas delas são realizadas em salas fechadas e muito bem montadas. Entretanto, outras acontecem “ao ar livre”, abertas mesmo, para quem estiver passando parar e assistir. Nestes pontos, inevitavelmente, novas aglomerações se formam, mais parecendo a movimentação da banca de sanduíche de mortadela do mercadão de São Paulo do que de um evento científico propriamente dito.

Eu tive a oportunidade de frequentar o Ciosp das mais variadas formas. Já participei como congressista, palestrante da grade oficial e palestrante de estandes de empresas. Conheço alguns membros da comissão organizadora e sei que eles não medem esforços para minimizar esses problemas que eu relatei e vários outros que certamente aparecem. No entanto, é preciso continuar se empenhando na criatividade para melhorar cada vez mais o nosso Congressão. Talvez educar e disciplinar congressistas, palestrantes e expositores seja uma saída. Regras mais rígidas e bem fiscalizadas certamente darão melhor qualidade ao evento.
 

“A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos pequenos. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é limpo e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.” (Salmos 19;7-10).

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           



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