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Publicado em: 2/15/2019 92h6

A necessidade de mudar os planejamentos

Marco Bianchini recorre à obra de P-I Brånemark para mostrar que existem casos em que é necessário replanejar as ações.

Modificar planejamentos depois de concluído o tratamento é uma ocorrência que nem dentista e nem paciente gosta de enfrentar. Porém, infelizmente, estamos sujeitos a este contratempo, que faz parte do nosso dia a dia como implantodontistas. À medida que a estimativa de vida dos seres humanos aumenta, nossos pacientes permanecem mais tempo com seus implantes em atividade na boca. Este uso prolongado fatalmente aumenta o número de intercorrências que podem levar a perda de alguns implantes. Conviver com os insucessos e as falhas faz parte da vida de um clínico em Implantodontia. Eu costumo dizer que só não perde implantes quem não faz implantes.

O fato mais curioso disso tudo é que poucos dentistas têm coragem de enfrentar estas situações e reconhecer que perdem alguns de seus implantes e que precisam modificar o planejamento em função disso. Eu mesmo tenho uma imensa dificuldade para administrar essas situações de fracassos. Contudo, no início deste ano, eu estava lendo sobre a história da Osseointegração no livro: The Osseointegration Book: from calvarium to calcaneus, escrito pelo próprio Per-Ingvar Brånemark em 2005, que conta bem toda a história da osseointegração e o acompanhamento clínico e radiográfico dos primeiros casos.

Para minha surpresa, muitos destes casos sofreram algumas perdas de implantes, que foram removidos e tiveram os seus planejamentos modificados ao longo dos anos. O caso que mais chamou minha atenção foi o do primeiro paciente que recebeu os implantes da era moderna da Implantodontia, o famoso Gösta Larsson. Ele também perdeu algumas fixações ao longo da sua vida após ter sido tratado com os primeiros implantes osseointegrados.

Vamos ver abaixo um pequeno resumo desse primeiro caso, com fotos oriundas do livro do Professor Brånemark: The Osseointegration Book: from calvarium to calcaneus 2005 Quintessenz Verlags-Gmbh, Berlin.

Na obra de Brånemark, o caso realizado em 1965 iniciou com quatro implantes de diâmetro reduzido colocados na mandíbula. Uma radiografia de controle do caso foi feita em 1994, onde é possível observar que foram realizados implantes superiores e que o implante da região do 37 foi perdido. O implante 47 sofreu uma saucerização e dois novos implantes foram colocados na região dos incisivos. Quatro anos depois, em 1998, uma radiografia panorâmica mostra a presença de um implante zigomático superior e a manutenção dos implantes inferiores.

Este caso emblemático da Implantodontia continua nos ensinando até hoje. Podemos entender que, por ser o primeiro caso, as pesquisas não estavam ainda totalmente desenvolvidas. Então, na medida em que o grupo de Brånemark foi evoluindo nos conhecimentos, as descobertas mais recentes foram sendo executadas e os planejamentos foram sendo modificados. Mas hoje em dia não é a mesma coisa? À medida que o tempo passa, novos achados são disponibilizados no mercado e os nossos pacientes, que apresentam falhas nos implantes, passam a ter os seus planejamentos alterados.

Os tratamentos de desdentados, especialmente os desdentados totais, são influenciados pela evolução das pesquisas na Odontologia. Primeiro foram as próteses totais, depois vieram os implantes convencionais (subperiósteos, agulhas e lâminas), mais tarde vieram os implantes osseointegrados e, atualmente, temos uma imensa variação no formato destes implantes. Devemos aceitar que os implantes são apenas mais uma modalidade de tratamento, pois eles também envelhecem e falham, fazendo com que nós, cirurgiões-dentistas, tenhamos que modificar nossos planejamentos. É preciso aceitar as perdas de implantes e utilizar as novas tecnologias, que não param de aparecer, para replanejar nossos casos e continuar reabilitando nossos pacientes desdentados.

 

“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos. Que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam generosos. Que acumulem para si mesmos um valioso tesouro para o futuro, a fim de obterem a vida eterna.” (1 Timoteo 6;17-19)
 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           



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