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Publicado em: 3/1/2019 10h52

Os heróis que precederam Brånemark

Marco Bianchini lembra que a caminhada até a Osseointegração foi difícil e só foi possível graças a grandes profissionais.

A história da Implantodontia pode ser contada em antes e depois das descobertas de Per-Ingvar Brånemark. Antes do sueco, tínhamos os implantes rotulados como convencionais ou pejorativamente chamados de “fibro-ósseointegrados”. Com as descobertas de Brånemark, o termo osseointegração apareceu e a filosofia dos tratamentos mudou. Este momento de intensa renovação de conceitos foi vivido no Brasil por um grupo de profissionais que fundou a Apio (Associação Paulista de Implantologia Oral).

A data deste marco divisor de águas de uma Implantodontia convencional para uma Implantodontia osseointegrada foi 1982. Neste ano, em Toronto, no Canadá, o grupo do professor Brånemark foi submetido ao escrutínio científico da América. Um verdadeiro esquadrão de cirurgiões-bucomaxilofaciais e patologistas foi formado para investigar se os desenvolvimentos feitos em Gotemburgo, na Suécia, constituíam uma revolução na Odontologia. Até então, com exceção dos implantodontistas de vanguarda, como o pessoal da Apio, ninguém realmente acreditava muito que um dispositivo em forma de parafuso pudesse funcionar como uma raiz artificial e suportar uma prótese dentária.

As palestras da Conferência de Toronto foram publicadas no Journal of Prosthetic Dentistry, em 1983. Em resumo, foram apresentados:

- O conhecimento tecnológico para usinagem, limpeza e esterilização do titânio;

- Bases biomecânicas teóricas;

- O protocolo cirúrgico;

- O protocolo protético;

- O protocolo de acompanhamento.

E, ainda, um estudo feito no Canadá, replicando os resultados obtidos na Suécia, para mostrar a viabilidade da técnica. Deste momento em diante, a Odontologia nunca mais seria a mesma.


Enquanto Brånemark e sua equipe estavam lançando as primeiras evidências da osseointegração, em Toronto, no Canadá – e antes que esta novidade chegasse forte no Brasil – ocorria o 1o Congresso Paulista de Implantologia Oral, na capital paulista. Este evento foi realizado entre os dias 25 e 27 de novembro de 1982. Foi um evento que contou com aproximadamente 350 participantes. O congresso foi promovido pela Apio, que tinha nos seus quadros mais antigos colegas e professores que deixaram saudades, como Nicanor Ubirajara Furquim de Campos, Constantino Jacob Constantino, David Serson, Orlando Meira Cardoso, José Jurado Martins, Vassinon Barbosa, Nilton De Bortoli, dentre outros. Colegas corajosos e pioneiros, na época de uma Implantodontia marginalizada e perseguida.

Novembro de 1982 - Congresso da Apio - da esq. para a dir.: na fileira de cima estão Ricardo Marino, Haroldo Vieira, Marco Drukier, Aziz Constantino, Vicente Mauro Neto, Regina Gerace, Jorge L. Garcia e um cirurgião-dentista não identificado. A fileira de baixo começa por uma assistente não identificada. Na sequência, Jorge Mitsuo Murakami, Laerte Kradichi, Orlando Meira Cardoso, Roberto Abdala, Constantino Jacob Constantino, Nicanor Furquim, Oscar Sarnachiaro, Angelo Roccella, Rinaldo Rodante e Walter Justolin.


A organização deste primeiro congresso de Implantologia ficou ao encargo da empresa VMCom, que já tinha no comando Haroldo Vieira, que até hoje realiza os melhores eventos de Implantodontia e de Odontologia da América Latina. Esse congresso ainda abordou os implantes convencionais agulhados, laminados, justa-ósseos e de parafusos de Garbaccio, pois a Osseointegração estava praticamente nascendo para o mundo.

​A Apio foi realmente um marco na Implantodontia de raiz pré-Branemark, mas também se desenvolveu após a descoberta da Osseointegração, já em meados da década de 1980. Gerações mais novas vieram e deram continuidade ao trabalho realizado pelos mais antigos. Colegas como Amadeo Bobio, Angelo Luciano Rocella, Aziz Constantino, Nilton De Bortoli Junior, Rodolfo Candia Alba, Adolfo Embacher, Laerte Kradish, Jorge Munakami, Jorge Abdala, Sergio de Oliveira, Luis Carlos Zanatta, Luciana Zaida Russo, Ceschin São João da Boa Vista, Nelson Calagins, Glauco Longo Guerrieri, Eloi Borgo e Sérgio Jayme, dentre outros, foram muito importantes na Implantodontia brasileira.

Nos dias de hoje, muitos cirurgiões-dentistas estão fazendo implantes ou estudando para se tornarem futuros implantodontistas. É muito importante que as novas gerações tenham consciência e entendam o que aconteceu nos anos pré-Brånemark. A valorização dos implantodontistas de raiz no Brasil e no mundo vai ensinar as novas gerações de que o conhecimento caminha lentamente e que os fracassos de hoje podem ser a chave do sucesso de amanhã.

 

Levanta-te diante de uma cabeça branca e honra a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. E quando o estrangeiro vier morar convosco na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que mora convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus. (Levítico 19:32-4)​ 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 


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