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Publicado em: 3/22/2019 12h09

Polimento a ar na superfície dos pilares de implantes

Marco Bianchini traz detalhes de estudo que analisou dois tipos de abrasivos em pó: bicarbonato de sódio e aminoácido glicina.

Manter os implantes saudáveis na boca dos nossos pacientes é um desafio. E, por que não dizer, uma obrigação de todos nós, cirurgiões-dentistas. Uma vez que colocamos componentes artificiais na boca de nossos pacientes, temos, sim, a obrigação de mantê-los saudáveis. A melhor maneira de realizarmos isso é através das nossas manutenções, raspagens e profilaxias, também conhecidas pelos clientes como limpezas. Mas como limpar nossos implantes da melhor maneira possível? Devemos limpá-los como limpamos os dentes ou existe alguma técnica ou material específico melhor para promovermos essas manutenções?

Na semana passada, tivemos a publicação de um artigo que abordou este assunto. Esta pesquisa foi feita pelo nosso time da Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com colegas da Itália e do Rio de Janeiro. Sob o título “Avaliação in vitro do efeito do polimento a ar com diferentes pós abrasivos sobre a rugosidade da superfície de pilares de implantes”, o trabalho foi publicado no Journal of oral Implantology. (J Oral Implantol 2019;15. doi: 10.1563/aaid-joi-D-18-00156. [Epub ahead of print]) tendo como autores: Biazussi BRPerrotti VD'Arcangelo CElias CNBianchini MATumedei Mde Vasconcellos DK.

A pesquisa em questão foi uma monografia de conclusão de curso aqui da UFSC, apresentada pela aluna Beatriz Biazussi, que foi orientada pelo Professor Diego Klee de Vasconcellos, com a coorientação minha e do professor Carlos Nelson Elias, do Rio de janeiro. Além disso, participaram da montagem final do artigo os professores italianos D’Arcangelo e Vitoria Perrotti.

O objetivo deste estudo in vitro foi avaliar o efeito do polimento a ar na superfície dos pilares de implantes, utilizando dois tipos de abrasivos em pó: bicarbonato de sódio e aminoácido glicina. 15 discos de titânio foram divididos em três grupos de cinco amostras cada um e submetidos a polimento por 20 segundos com dispositivo abrasivo Ultrajet Flex e protocolo de profilaxia distinto: G1) ar e água; G2) ar, água e bicarbonato de sódio; e G3) ar, água e aminoácido glicina. Após o polimento com ar, a rugosidade média das amostras foi medida por meio de um perfilômetro óptico e os dados obtidos foram analisados ​​estatisticamente. Este estudo demonstrou que o polimento a ar contendo pó de glicina afetou menos a rugosidade da superfície dos discos de titânio quando comparados ao pó de bicarbonato de sódio. Obviamente que mais estudos (in vivo) serão conduzidos para investigar a relevância clínica destes resultados obtidos in vitro, para termos a certeza de que a glicina é realmente melhor do que o bicarbonato de sódio.

Estudos como esse contribuem para que nós possamos tomar decisões a respeito dos materiais e produtos que utilizamos no nosso dia a dia clínico. Eu confesso a vocês que sempre utilizei – e ainda utilizo muito – o bicarbonato de sódio nas minhas profilaxias, seja sobre implantes ou dentes naturais. Contudo, após estes resultados, no mínimo uma reflexão tem que ser feita.

Quando limpamos nossos implantes, através das nossas profilaxias, a parte das reabilitações que temos acesso para limpar acaba sendo os pilares e as cerâmicas ou acrílicos e resinas. O implante propriamente dito está inserido no osso e será atingido, quando muito, apenas na sua porção coronária, salvo nos casos de peri-implantite, nos quais a maneira de abordagem muda drasticamente. Contudo, um aumento da rugosidade no pilar ou na porção coronária do implante pode ser o gatilho para iniciar uma contaminação bacteriana, que futuramente acarretará perdas ósseas. Criar rugosidades nestes pilares pode favorecer ao acúmulo de mais biofilme, além de danificar as peças. Saber o quanto isso afeta a vida útil dos nossos trabalhos e aumenta o risco de falhas e de futuras perdas ósseas peri-implantares é o desafio de nossas próximas pesquisas.

Este assunto já vem aparecendo na literatura nos últimos anos. Se fizermos uma consulta bibliográfica, iremos observar outros estudos demonstrando que o polimento a ar com pó de glicina pode ser considerado um método melhor para remover a placa bacteriana dos implantes, porque a glicina é menos agressiva do que o pó de bicarbonato de sódio. Além disso, o uso de glicina em pó parece ter um papel ativo na inibição da recolonização bacteriana de implantes em um curto período de teste (24h).

Mesmo necessitando de mais estudos clínicos em pacientes, as constatações desse nosso trabalho e de outros que a literatura já vem trazendo indicam um caminho a seguir na identificação de melhores materiais para o nosso uso diário na limpeza e na manutenção da saúde dos nossos pacientes e implantes.
 

“Ai dos que decretam leis injustas, e redigem medidas maliciosas, para tapear o fraco na justiça, roubar o direito do meu povo explorado e para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! Mas que fareis vós no dia do ajuste de contas, e na desolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre mortos.” (Isaías 10:1-4)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 


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