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Publicado em: 4/12/2019 11h50

Substâncias químicas de ação local no tratamento periodontal e peri-implantar

Marco Bianchini conta que o maior conhecimento das doenças possibilitou importantes mudanças terapêuticas.

A utilização de substâncias químicas de ação local no tratamento das doenças periodontais e peri-implantares é um recurso que vem ganhando força na prática periodontal nas últimas décadas. O maior conhecimento da patogênese da doença periodontal e das alterações peri-implantares possibilitou mudanças terapêuticas, que agora servem como suplementos para o tradicional controle mecânico da placa.

Embora ainda não exista um consenso na literatura de que estes agentes antimicrobianos sejam totalmente efetivos no combate às doenças periodontais e peri-implantares, parece haver uma tendência de alguns grupos de pesquisadores em aceitar que estes agentes podem contribuir de alguma forma nesse combate. Vale lembrar que os agentes químicos só deverão ser usados após um intenso controle mecânico da placa. Ou seja, após a realização de toda a terapia não cirúrgica que engloba a raspagem e o controle de biofilme.

Apesar de todo tratamento mecânico, que certamente reduz consideravelmente a massa bacteriana supra e subgengival, sabemos que esta terapia é de difícil execução. Ela depende de alguns fatores, como a habilidade do operador e os locais de difícil acesso na boca, onde as bactérias preferencialmente se “escondem”, como, por exemplo, as regiões de furca, os espaços estreitos como as concavidades nas raízes e as próteses sobre implantes com sobrecontornos, feitos para compensar a má posição dos implantes. Assim, a eliminação completa destes patógenos nunca vai ocorrer. O que o clínico consegue, geralmente, é desorganizar a placa, fortalecendo as defesas do hospedeiro e evitando um dano maior. Entretanto, como as variáveis são muitas, sabe-se que a possibilidade de recidivas e de reinfecções são muito grandes e a microflora precisa ser continuamente contida.

O uso de sistemas locais de controle de biofilme, como antimicrobianos, não substitui a necessidade de minuciosa raspagem e do controle do biofilme. Porém, se aplicados de forma racional, tornam-se fortes aliados ao combate da doença periodontal e peri-implantar, principalmente se levarmos em consideração que a eliminação incompleta dos patógenos periodontais tem sido considerada a razão biológica para um resultado de tratamento insatisfatório ou para a recorrência da doença.

Uma larga variedade de sistemas de liberação local de substâncias dentro da bolsa tem sido designada para manter altas concentrações de antimicrobianos no fluido crevicular gengival, diretamente no sítio da infecção. Fibras, filmes, tiras e micropartículas fabricadas de polímeros, biodegradáveis ou não, têm sido reportados como métodos efetivos na administração de agentes antimicrobianos, como terapia periodontal e peri-implantar. Aliados a esses dispositivos sólidos, adesivos semissólidos ou fórmulas não adesivas também têm sido propostas. A literatura não conseguiu provar adequadamente qual seria a melhor destas fórmulas, e se todas estas realmente têm uma efetividade considerável.

Embora ainda existam alguns fabricantes oferecendo as mais diversas formas de antimicrobianos com ação local, atualmente, as formas mais utilizadas são o gel e as soluções para irrigação de bolsas e também para bochechos, que agem na boca como um todo, objetivando diminuir a formação de biofilme. Na atualidade, os antimicrobianos mais utilizados para a ação local em sítios com infecção periodontal e peri-implantar são: a clorexidina, Iodopovidona, oxigênio, ácido cítrico, tetraciclina, EDTA e a combinação de vários destes. A maioria deles pode ser utilizada na forma de solução para bochechos, solução pra irrigação de bolsas ou gel para aplicação local. Todas essas fórmulas podem ser facilmente obtidas em marcas comerciais que já existem no mercado ou em farmácias e laboratórios de manipulação.

Parece ser relativamente óbvio que a descontaminação mecânica que a maioria dos clínicos realiza para diminuir a quantidade de biofilme e placa calcificada deve ser auxiliada por agentes químicos. É bastante razoável aplicar alguma solução diretamente nas bolsas periodontais e peri-implantares, através da irrigação das mesmas ou ainda diretamente nos sítios afetados por essas doenças, quando temos um retalho aberto para acessar a área doente. Embora a literatura atual tenha dificuldade de provar a real efetividade desta ação local dos antimicrobianos, o seu uso não vai provocar nenhum dano ao paciente e pode melhorar todo o quadro. Seria a mesma relação em tomarmos o nosso banho diário com e sem sabonete.

 

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isso, para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa. O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” (João 15:10-12)


 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 


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