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Publicado em: 5/24/2019 22h9

Implantes imediatos na região posterior da maxila

Marco Bianchini apresenta caso clínico que ilustra a exodontia de dentes condenados e a colocação de implantes na mesma sessão.

Fazer implantes imediatos – exodontia do dente condenado e colocação do implante na mesma sessão – vem sendo um procedimento de rotina em nossos consultórios. São muitos os pacientes que se apresentam com dentes condenados, e a região posterior de maxila não foge a esta regra. Pacientes mais idosos, que tiveram os seus molares restaurados – com endodontia, núcleos e coroas – acabam perdendo estes elementos, seja por recidivas de cáries, fraturas ou comprometimento periodontal. Contudo, a decisão de realizar a colocação imediata de implantes para repor estes dentes deve, impreterivelmente, obedecer a alguns princípios básicos para que obtenhamos sucesso no tratamento.

Pensando de uma maneira objetiva, a primeira situação a ser analisada é a presença de osso suficiente para ancorar o implante. Principalmente na região posterior da maxila, onde, geralmente, o osso é mais esponjoso, dificultando um pouco o travamento inicial. Tendo osso disponível para a implantação imediata, o segundo ponto a ser avaliado é a estética, pois o envolvimento estético pode exigir enxertos adicionais de tecidos duros e moles. Para melhor compreendermos esta análise, iremos apresentar um caso clínico que ilustra a colocação de dois implantes imediatos na região posterior de maxila (Figuras 1 a 4).

Figuras 1 e 2 – Visão panorâmica e transversal de tomografia volumétrica do cone-bean do elemento 16 com lesão periodontal extensa e implante imediato indicado. Observar que existe um bom remanescente ósseo além das raízes do dente condenado, o que possibilita o implante imediato. Observar, também, a presença de outro implante na região do 14 (cone-morse da Implacil De Bortoli) com quatro anos em função e uma excelente condição intraóssea, mostrando a formação óssea acima da plataforma do implante em direção ao pilar protético. Este implante no elemento 14 foi feito de maneira imediata, com preenchimento do gap entre o alvéolo e implante com biomaterial (osso bovino e membrana reabsorvível de colágeno).

 

Figuras 3 e 4 – Radiografias periapicais realizadas imediatamente após a cirurgia de colocação do implante imediato na região do 16. Observar a boa posição intraóssea do implante imediato 16. Observar, também, que a condição intraóssea do outro implante na região do 14 já em função há quatro anos, confirma as imagens obtidas nas tomografias demonstradas nas figuras 1 e 2.


Assim como no implante 14, a região do elemento 16 também recebeu um implante imediato cone-morse da marca Implacil de Bortoli. Houve, também, o preenchimento dos alvéolos remanescentes do dente 16 e do defeito periodontal na mesial com biomaterial (osso bovino e membrana reabsorvível de colágeno). Este preenchimento visava manter a arquitetura da região, evitando defeitos estéticos indesejáveis. As Figuras 5 e 6 ilustram o processo cicatricial da área.

Após seis meses de cicatrização foram feitas novas radiografias (Figuras 7 e 8) e o caso está na fase protética (Figura 9).
 

Figuras 5 e 6 – Cicatrização dos tecidos moles ao redor do cover de cicatrização. A figura 5 com 14 dias e a figura 6 com 30 dias de controle. Observar que o tecido gengival foi lentamente recobrindo a área do enxerto, deixando apenas o cicatrizador exposto.

 

Figuras 7 e 8 – Radiografias periapicais após seis meses de cicatrização. Observar que o padrão ósseo peri-implantar do implante 16 é bastante satisfatório e o implante está perfeitamente apto a receber a prótese final. Observar novamente a excelente situação do implante 14.

 

Figura 9 – Imagem clínica do implante 14, há quatro anos em função. Observar que embora os elementos dentais 13 e 15 demonstrem recessões teciduais e necessidades de restaurações para melhora da estética, o implante 14 manteve a estabilidade dos tecidos moles peri-implantares ao longo de quatro anos.

 

Embora ainda não tenhamos a prótese final do elemento 16, esta situação clínica é bastante interessante, pois conseguimos mostrar o acompanhamento de quatro anos de um implante imediato (elemento 14), em que os mesmos passos que foram feitos agora para o implante 16 foram realizados há quatro anos no implante 14. Os resultados confirmam o que a literatura já vem demonstrando há alguns anos: os implantes imediatos são bastante previsíveis, desde que sigamos o seu protocolo de utilização corretamente.

 

“Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade. Odeio aqueles que se entregam a vaidades enganosas; eu, porém, confio no Senhor. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias. E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés em um lugar espaçoso”. (Salmos 31:5-8)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 


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