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Publicado em: 7/26/2019 42h4

Aumento de coroa, tração ortodôntica e implante imediato

Marco Bianchini debate a recuperação do espaço biológico e os caminhos que os cirurgiões-dentistas devem – ou não – seguir.

O aparecimento dos implantes osseointegrados vem mudando drasticamente o planejamento de casos na Odontologia. A sobrevida de dentes com prognóstico duvidoso tem sido interrompida pela colocação de implantes. Uma dessas situações é quando temos um dente com seu espaço biológico violado. A restauração deste dente, muitas vezes, requisita uma série de procedimentos que envolvem cirurgia periodontal, movimentos ortodônticos, endodontias, colocação de núcleos, provisórios, etc. Esta quantidade de procedimentos acaba levando o profissional a preferir pela extração do dente e à colocação de um implante.

Na clínica diária, frequentemente nos deparamos com a unidade dentogengival violada por cárie, fratura coronorradicular, perfurações ou reabsorções radiculares. A recuperação do espaço biológico, devolvendo a saúde ao periodonto marginal e possibilitando a reconstituição funcional e estética do dente envolvido, geralmente é feita através da cirurgia de aumento de coroa clínica e suas variações. Entretanto, isso nem sempre é possível sem a alteração desfavorável aos dentes vizinhos. Afinal, é praticamente impossível remover o osso e a gengiva de um único dente sem afetar os demais, que estão ao seu lado.

A técnica ressectiva (cirurgia) restitui o espaço biológico em nível mais apical pela remoção do osso de sustentação do dente lesado e dos adjacentes, com manutenção da arquitetura óssea paralela à junção cemento-esmalte. Isso pode, muitas vezes, prejudicar a estética, principalmente em dentes isolados na região anterior. Como alternativa, pode-se utilizar o tracionamento dental para manutenção da margem gengival inalterada nos dentes adjacentes. O tracionamento rápido é aquele que está mais indicado para os casos de reestabelecimento da unidade dentogengival invadida.

Sem querer me aprofundar muito em uma área que não domino, podemos classificar o tracionamento rápido em: a) mediato, que pelo movimento ortodôntico axial com aparelhos removíveis ou fixos expõe estrutura radicular sadia para a recuperação do espaço biológico; e b) imediato, que consiste na avulsão e extrusão cirúrgica do remanescente dental, geralmente realizada com fórceps, sem que o remanescente dental seja removido totalmente do alvéolo. Ambos os tipos de tracionamento, se bem indicados e corretamente realizados, resolvem o problema da invasão do espaço biológico sem comprometer os dentes vizinhos. As figuras 1 e 2 ilustram estas situações

 

Figuras 1 e 2 – Fratura coronorradicular com fragmento tracionado. Observar a proporção coroa-raíz do remanescente tracionado. (Fonte: Baratieri, Luiz N. et al. Estética-restaurações adesivas diretas em dentes anteriores fraturados. São Paulo:Quintessence Editora, 1995).

 

Tanto o aumento de coroa clínica como o tracionamento dental eram as únicas alternativas para tratarmos um dente com o seu espaço biológico invadido. Ou era realizado um desses dois procedimentos ou partia-se para extração do dente e a colocação de uma prótese fixa ou removível. Não havia outra saída. O aparecimento dos implantes osseointegrados mudou este direcionamento. A extração do dente com a colocação de um implante imediato passou a ser uma excelente opção e, em muitas situações, por que não dizer: a melhor opção.

O que ocorre é que os casos que se apresentam no nosso dia a dia de clínico não são totalmente iguais. Além disso, o perfil dos nossos pacientes também não é totalmente idêntico. Desta forma, não é tão simples assim optar por um ou outro caminho. Obviamente que existem alguns elementos que nos deixam bastante seguros para optarmos logo por um implante imediato, em detrimento das outras técnicas. Dentes com raízes curtas e pouco suporte ósseo, fraturas extensas e cáries radiculares muito profundas acabam inviabilizando tanto a cirurgia de aumento de coroa clínica como a tração ortodôntica. Porém, não são esses casos que nos fazem ficar em dúvida. O que nos faz pensar e repensar sobre qual a melhor forma de tratamento são os casos que se situam na linha intermediária do diagnóstico.

Hoje em dia, eu me deparo com muitos casos mostrados por colegas nas redes sociais e que me deixam muito intrigado. São raízes longas, de dentes robustos, com fraturas mais leves, que poderiam perfeitamente ser recuperados com cirurgias ressectivas ou movimentações ortodônticas. Parece haver um consenso informal de que o único tratamento para um dente comprometido é a extração e a colocação de um implante osseointegrado em seu lugar. Acredito que podemos ainda salvar muitos dentes, exercitando o nosso conhecimento geral da Odontologia, com o máximo de bom senso, lembrando sempre que os implantes também falham.
 

“Abri as portas, para que entre nelas a nação justa que observa a verdade. Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna.” (Isaías 26:2-4)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

           

 


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