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Publicado em: 9/6/2019 40h1

Os mistérios do coágulo e a preservação alveolar

Marco Bianchini ressalta a importância de entendermos os motivos dos sucessos e fracassos na colocação de implantes em alvéolos de extração.

Atualmente, a Implantodontia tem a sua maior gama de atuação na reposição de dentes que estão condenados e devem ser imediatamente extraídos. Desta forma, nós, implantodontistas, convivemos com a necessidade de realizarmos implantes imediatos ou tardios em áreas onde o alvéolo de extração está em processo recente de cicatrização. Esta cicatrização do alvéolo nos remete a entender exatamente o que acontece durante a formação do coágulo nestas áreas. Entender os mistérios do coágulo provavelmente nos fará entender o porquê temos sucessos e fracassos, quando colocamos implantes em alvéolos de extração.

Se pesquisarmos da maneira mais simples e objetiva que existe atualmente, encontraremos na Wikipédia uma definição de coágulo bastante interessante, que pode nos ajudar a entender exatamente o que ocorre no interior de um alvéolo que teve o seu órgão dental removido: “A coagulação sanguínea é uma sequência complexa de reações químicas que resulta na formação de um coágulo de fibrina. É uma parte importante da hemostasia (o cessamento da perda de sangue de um vaso danificado), na qual a parede do vaso sanguíneo danificado é coberta por um coágulo de fibrina para parar o sangramento e ajudar a reparar o tecido danificado. Desordens na coagulação podem levar a um aumento no risco de hemorragia, trombose ou embolismo. A coagulação é semelhante nas várias espécies de mamíferos, em todos eles o processo envolve um mecanismo combinado de fragmentos celulares, plaquetas e proteínas.

Em um indivíduo normal, a coagulação é iniciada dentro de 20 segundos após a lesão ocorrer ao vaso sanguíneo, causando dano às células endoteliais. As plaquetas formam, imediatamente, um tampão plaquetário no local da lesão. Essa é a chamada hemostasia primária. A hemostasia secundária acontece quando os componentes do plasma chamados fatores de coagulação respondem em uma completa cascata de reações, para formar fios de fibrina que fortalecem o tampão plaquetário.”

Levando-se em conta que queremos o máximo de osso formado no alvéolo do dente que foi extraído – para que possamos colocar um implante –, a maioria dos pesquisadores atuais sugere que deixar este alvéolo fechar naturalmente, apenas com a formação de um “coágulo”, sem nenhum tipo de preenchimento, poderá acarretar perdas irreparáveis, principalmente quando estamos diante de áreas com grande apelo estético. Assim, mais e mais implantodontistas realizam, corriqueiramente, algum tipo de preservação alveolar, preenchendo este alvéolo com algum biomaterial.

Muitos biomateriais têm sido utilizados para a preservação alveolar. Contudo, a maioria dos estudos não encontra evidências claras na superioridade de um material sobre outro no preenchimento do alvéolo. A busca por compostos mais naturais que se aproximem mais das características da reparação normal, que ocorre naturalmente em um alvéolo, é o que vêm norteando as pesquisas atuais. O plasma rico em fibrina é um forte exemplo destas tendências.

O problema é que, apesar de muitos estudos encontrados demonstrarem clinicamente que a técnica de preservação alveolar ajuda a diminuir a reabsorção do osso alveolar auxiliando na colocação de implantes, não é incomum encontrar níveis de reabsorção em áreas enxertadas similares as encontradas em alvéolos sem nenhum tratamento. As taxas de insucesso e os motivos que levam a isso vêm sendo bastante estudados, mas ainda sem um consenso final.

A literatura sugere que a técnica de preservação do rebordo alveolar limita, mas não previne completamente a reabsorção fisiológica do alvéolo pós-extração dentária. Essa redução é mais significativa nas medidas horizontais, ou vestibulolingual, do osso alveolar. Isso nos leva a buscar uma melhor compreensão de como a formação do coágulo reage com qualquer biomaterial que colocamos no interior dos nossos alvéolos. Desprezar as fortes características reparadoras naturais do coágulo não parece ser o melhor caminho para a preservação alveolar.

 

“Não te eram ocultos os meus ossos quando eu estava sendo formado em segredo, e era tecido nas profundezas da terra. Ainda embrião, teus olhos me viram e tudo estava escrito no teu livro; meus dias estavam marcados, antes que chegasse o primeiro.” (Salmos 139:15,16)


 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 



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