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Publicado em: 10/18/2019 33h0

Componentes angulados parafusados na rotina clínica

Marco Bianchini relata sua experiência com a utilização de um novo componente protético angulado.

O uso de componentes angulados para a correção da má posição dos implantes é uma prática bastante comum e já consagrada na literatura. Entretanto, muitos profissionais, sejam eles da área cirúrgica ou protética, ainda advogam que este recurso deveria ser evitado ao máximo, já que modificaria muito a biomecânica do conjunto implante/prótese, além de dificultar a higiene por parte dos pacientes. Isso sem falar nos riscos da cimentação das coroas, uma vez que os componentes angulados recebem, na sua maioria, próteses cimentadas.

A maneira mais fácil de evitar o uso de componentes angulados é colocar o implante em uma posição proteticamente favorável, em que a emergência do parafuso de retenção fica na porção central da futura coroa, sem qualquer desvio. Contudo, a condição óssea necessária para que isto ocorra não é muito comum. A maioria dos nossos casos, salvo algumas exceções, apresenta algum tipo de deficiência óssea. Desta forma, para que consigamos colocar o implante na posição ideal, fatalmente teremos que realizar algum tipo de enxerto previamente à colocação do implante. A pergunta é: será que vale a pena fazer este enxerto ou usar um componente angulado?

Esta questão pode levantar uma grande celeuma entre protesistas e cirurgiões-dentistas, e, certamente, as respostas serão variadas, cada um puxando para a sua área de maior conhecimento. Cirurgiões podem atestar que fazer um enxerto apenas para não se usar um componente angulado seria um exagero, que aumentaria muito o tempo de tratamento e também a morbidade do mesmo, sem falar nos custos finais. Por outro lado, os protesistas responderiam que os componentes angulados diminuem a possibilidade de reversibilidade da prótese, pois não é possível usar próteses parafusadas nestes pilares. Além disso, a cimentação das peças dificulta o procedimento e pode gerar peri-implantite, caso o cimento escorra para o sulco peri-implantar.

Baseada nesse problema, a empresa Implacil De Bortoli lançou no mercado, em 2018, um componente protético angulado que possibilita a escolha por uma prótese parafusada ou cimentada no mesmo pilar. Trata-se do pilar protético Ideale, que vem fazendo sucesso entre os protesistas de vanguarda do Brasil nestes últimos meses. Abaixo, as Figuras 1 a 4 apresentam um caso clínico realizado em minha clínica particular, onde eu coloquei os implantes, que ficaram vestibularizados, e a Dra. Fernanda Varella Slovinski realizou a prótese utilizando o pilar Ideale para corrigir o posicionamento do implante.

Figura 1 – Pilar Ideale posicionado na região do 22. Observar a correção para palatal realizada pelo componente angulado, devido à vestibularização do implante. Observar também as roscas internas de uma parte do pilar, que propiciam o parafusamento da prótese. O tamponamento do outro orifício do pilar com veda rosca identifica a posição original do implante.

 

Figuras 2 e 3 – Raio X periapical do implante cone-morse Due Cone e a coroa protética sobre o pilar Ideale no elemento 22, ambos da marca Implacil De Bortoli (SP, Brasil).

 

Figura 4 – Aspecto extraoral com a reabilitação da região anterior superior em cerâmica concluída.

 

Reabilitar os nossos pacientes oferecendo a eles o melhor tratamento, de uma maneira mais rápida e com um custo razoável, é, certamente, o principal objetivo do nosso trabalho na clínica diária. Usualmente, eu procuro divulgar aqui somente lançamentos de produtos que já tenham a sua eficácia comprovada por pesquisas e testada por mim mesmo. E, no caso deste novo tipo de pilar angulado, não foi diferente. Os testes científicos comprovaram a eficiência biomecânica do pilar, e a resolução clínica que venho sentindo na minha clínica diária é realmente muito grande.

A vestibularização de implantes é um problema frequente que assombra todos nós, cirurgiões-dentistas. Muitas vezes, este posicionamento inadequado ocorre por limitações ósseas do próprio paciente, que nós, na tentativa de evitar um enxerto ósseo prévio, acabamos por compensar inserindo o implante em uma posição desfavorável. Porém, existem também situações nas quais cometemos apenas o erro, como qualquer ser humano. Tínhamos o osso disponível para a colocação do implante na posição ideal, mas cometemos o erro. Em ambas as situações, os pilares angulados podem ajudar bastante, principalmente se tiverem esta nova opção de escolhermos o parafusamento ou cimentação da coroa.

 

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas, para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo.” (Filipenses 2:13-15)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br

 

 

 

 

 



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