Publicado em: 17/08/2017 às 10h55

Bola da vez: superando limites

O TPD Carlos Augusto Canova Filho transpôs obstáculos que a vida impôs, alcançou prestígio profissional e compartilha conhecimento em seu centro de treinamento.

O laboratório de Canova está capacitado para atender as mais diferentes demandas de trabalho.(Fotos: acervo pessoal)

 

Foi um revés da vida que levou Carlos Augusto Canova Filho a seguir o caminho da Prótese Dentária. O gaúcho de Venâncio Aires, cidade localizada no interior do Rio Grande do Sul, era eletricitário e não mantinha contato com a Odontologia, tampouco conhecia a fundo a área.

Tudo mudou depois que ele sofreu um acidente de carro, no ano 2000, quando voltava para casa depois de um plantão. Como estava sem cinto de segurança, Canova bateu o rosto no vidro dianteiro e perdeu a visão do olho esquerdo, o qual precisou ser reconstituído. Durante os meses de tratamento, ele se manteve afastado do trabalho e sabia que não poderia voltar por se tratar de uma profissão de risco. Com isso, começou a pensar em um recomeço profissional em outra área.

Quando estava em Porto Alegre para fazer a segunda cirurgia no olho esquerdo em uma clínica especializada, ele recebeu a visita de uma prima que estava cursando Prótese Dentária. “Entre algumas conversas, ela me explicou o que era e o que fazia, pois eu não tinha ideia do que se tratava. Naquele momento, minha mãe falou que esse curso seria interessante para mim, pois não oferecia perigo”, lembra.

Já recuperado, Canova foi conhecer a Escola Bernardino, na cidade de Canoas (RS), que na época era comandada por José Cesena e sua esposa Lucia, e iniciou o curso de técnico em prótese dentária em fevereiro de 2001. “Eu estava cheio de expectativas, mas no terceiro mês pensei em desistir porque não sentia afinidade alguma entre ser eletricitário e atuar na área de Prótese. Meus pais insistiram para que eu continuasse, e assim o fiz. Conforme o tempo passava, percebi que um pouco mais de estudo e esforço tornariam o caminho menos difícil”, revela.

Como estudava de manhã, usava o período da tarde para consultar livros e se aprofundar cada vez mais no assunto. Percebendo sua dedicação, José Cesena o convidou para ser monitor junto com uma professora no turno da noite. “Aceitei e comecei a ter mais discernimento e entendimento das dificuldades que viriam pela frente. Durante esse estágio, Cesena e Lucia me convidaram para participar de um curso da Vita na Alemanha, que fazia parte de uma parceria entre a escola e a Wilcos do Brasil. Sabendo das dificuldades financeiras que minha família passava naquele momento, pensei em abrir mão da viagem. Porém, minha mãe conseguiu as passagens por meio de doações de alguns empresários da cidade e fez um empréstimo bancário para conseguir dinheiro suficiente para eu ir”, detalha. Em 2002, antes mesmo de se formar, ele embarcou para a Alemanha e foi o único aluno da turma que participou desse curso, com duração de uma semana.

Com novo fôlego para recomeçar, logo após se formar, em agosto de 2002, ele voltou para Venâncio Aires e abriu um laboratório de prótese dentária em sociedade com um amigo. Mesmo sem terem feito estágio, compraram um laboratório usado. O começo foi muito difícil e a sociedade logo se desfez. “Usei o dinheiro de uma rescisão de trabalho para comprar a parte do meu sócio e também um motor melhor. Como eu morava com meus pais e era solteiro, todo dinheiro que eu ganhava era investido no laboratório. Aos poucos, fui adquirindo equipamentos de melhor qualidade e participando de muitos cursos de aperfeiçoamento profissional”, afirma.
 

O laboratório é equipado com aparelhos modernos, mas mantém a cultura de ser um ateliê voltado para menor fluxo de trabalho.

 

Sempre em frente
 
Mesmo com todos os percalços impostos pela vida, o destino sempre se encarregava de dar um empurrãozinho para Canova não desistir da Prótese Dentária. Em 2006, ainda lutando para estabelecer o seu laboratório, ele recebeu um pedido inusitado: uma senhora, amiga da família, foi sorteada para participar do programa Roda a Roda, do SBT, porém, devido à idade, ela não poderia comparecer e pediu para Canova representá-la. Ele aceitou o desafio e ganhou uma casa e uma quantia em dinheiro. Como retribuição, a senhora ficou com a casa e deu a ele o dinheiro. O valor foi suficiente para dar entrada em um forno de cerâmica para o laboratório.
 
Os investimentos em materiais e equipamentos de melhor qualidade nunca cessaram. “Quando me estabilizei financeiramente, passei a frequentar cursos internacionais: fui para Itália em 2008 e para a Alemanha em 2010 e 2011, e depois vieram outras oportunidades. Eu acredito que o saber não ocupa espaço”, frisa, ao complementar que durante um desses cursos de qualificação, ele conheceu o TPD Carlos Augusto Maranghello, que se tornou um grande amigo e incentivador.
 
Em uma das vezes que esteve na Alemanha, nasceu a vontade de criar um centro de capacitação profissional e convidar colegas para ministrar aulas em seu laboratório. Sonho realizado: há quatro anos, ele concluiu a construção do Canova Atelier Dental, que une o laboratório e o espaço de capacitação. “Sempre quis ter um centro de treinamento deslocado das grandes cidades, em um lugar mais calmo e aconchegante. Como sou natural de Venâncio Aires, tornou-se fácil organizar os cursos e encontros com profissionais e empresas por aqui”, explica.
 
Ao lado da família, Canova gosta de manter contato com a natureza e praticar esportes de aventura.

 

 
Prioridades e preferências
 
Atualmente, Canova conta com três funcionários em seu laboratório e afirma que o fluxo de trabalho não é tão grande por se tratar de um ateliê – e não há intenção de expandir. Ele sabe que o futuro da Prótese Dentária está no desenvolvimento de tecnologias que ofereçam rapidez e qualidade, e quem não acompanhar esta tendência terá dificuldade em se manter no mercado. Por isso, procura estar atento às tecnologias, mesmo vivendo em uma cidade do interior e, inclusive, participou das últimas quatro edições do IDS – International Dental Show, maior feira mundial de produtos odontológicos, realizada na Alemanha.
 
Seu laboratório está capacitado para atender as mais diferentes demandas de trabalho, como metalocerâmica, prótese parcial removível, prótese total, prótese sobre implante, trabalhos em zircônia e estéticos. Devido à necessidade de mercado, Canova investiu também no sistema CAD/CAM, o que facilitou a rotina do laboratório em relação ao tempo de entrega e qualidade. “Mesmo com toda a tecnologia disponível e todos os sistemas cerâmicos livre de metal, continuo apaixonado pela metalurgia e estruturas para prótese, tanto fixa quanto móvel. Gosto muito dos processos de fundição e das formas de desenvolvimento de estruturas metálicas e não metálicas”, confessa.
 
Quanto ao futuro, o TPD não almeja muito mais do que já conquistou, mas tem a certeza de continuar contribuindo para o crescimento de sua profissão e se dedicando aos filhos Nicolas e Vicente, e à esposa Deise, que o acompanham e entendem os períodos de ausência, quando ele precisa viajar a trabalho.
 
Também pretende deixar sempre um tempo disponível para praticar esportes de aventura, um hobby que mantém há muitos anos. “Alguns me chamam de maluco, pois exige preparo físico e mental para enfrentar longas distâncias alternando entre mountain bike, remo e corrida, e toda a orientação com mapa cartográfico é feita por bússola. Gosto muito de contato com a natureza, o que me traz uma tranquilidade sem tamanho”, finaliza.