Publicado em: 11/10/2017 às 14h24

Restaurações monolíticas de zircônia: “glazear” ou polir?

Existem algumas razões para o uso do glaze ser preterido, ensejando apenas o polimento das zircônias monolíticas.

O uso crescente das restaurações monolíticas, principalmente as de zircônia, criou dúvidas quanto à forma de acabamento da superfície. A técnica com glaze (ou vitrificação) é a mais usual nos laboratórios porque é rápida, melhora a cor e confere lisura à restauração. Contudo, existem algumas razões para o uso do glaze ser preterido, ensejando apenas o polimento das zircônias monolíticas.

Alguns estudos mostraram que a zircônia com glaze é mais danosa para o antagonista, principalmente em esmalte1,5. O desgaste causado pelo polimento é menor quando comparado àquele provocado pelo glaze, que também é rapidamente perdido durante a função mastigatória, deixando superfícies mais rugosas do que aquelas que foram apenas polidas.

Sendo rapidamente desgastada, a superfície com glaze também perde a maquiagem que fora feita para mimetizar a cor dos dentes naturais4. Dessa forma, outra razão para realizar apenas o polimento é evitar a degradação da cor e o prejuízo estético da própria restauração. Para tanto, blocos para CAD/CAM coloridos que já estejam dentro da escala de cor do dente podem ser polidos para produzir restaurações com cor e lisura mais estáveis do que aquelas com glaze e maquiagem.

Além do aspecto de “desgaste”, os estudos mostram que a resistência e a confiabilidade após fadiga do material com e sem glaze também são superiores quando os espécimes são apenas polidos1-2. Isso significa que os defeitos superficiais inerentes ao material ou causados por pontas diamantadas mais grosseiras podem ser minimizados com pontas diamantadas finas ou kits de polimento para zircônia (Figura 1A).

De qualquer maneira, o glaze (Figura 1B) protege o material evitando que a zircônia entre em contato com fluidos que podem levar à degradação em baixa temperatura5. Mesmo que seja desgastado rapidamente em função, deixando a superfície adjacente exposta, isso não se compara à área exposta da zircônia apenas polida. Portanto, caberá aos estudos clínicos de longo prazo mostrar como se comportarão as restaurações monolíticas e se estas devem ser apenas polidas.

 

Figuras 1 – Zircônia translucente (Vita HT) polida (A) e com glaze (B). Mesmo com ranhuras, a superfície em A é mais homogênea. (Fotos cedidas por Larissa Alves)

 

 

Referências

1. Chun EP, Anami LC, Bonfante EA, Bottino MA. Microstructural analysis and reliability of monolithic zirconia after simulated adjustment protocols. Dent Mater 2017;33(8):934-43.

2. Lawson NC, Janyavula S, Syklawer S, McLaren EA, Burgess JO. Wear of enamel opposing zirconia and lithium disilicate after adjustment, polishing and glazing. J Dent 2014;42(12):1586-91.

3. Mohammadi-Bassir M, Babasafari M, Rezvani MB, Jamshidian M. Effect of coarse grinding, overglazing, and 2 polishing systems on the flexural strength, surface roughness, and phase transformation of yttrium-stabilized tetragonal zirconia. J Prosthet Dent 2017.

4. Christensen G. Disponível em <http://www.dentaleconomics.com/articles/print/volume-106/issue-5/science-tech/toglaze-or-not-to-glaze.html>.

5. Sabrah AH, Cook NB, Luangruangrong P, Hara AT, Bottino MC. Full-contour Y-TZP ceramic surface roughness effect on synthetic hydroxyapatite wear. Dent Mater 2013;29(6):666-73.

 

 

Renata Marques de Melo

Cirurgiã-dentista, doutora em Prótese e pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia de São José dos Campos, Unesp.