Publicado em: 11/10/2017 às 14h33

Bola da vez: artesão das cerâmicas

Mesmo com a massiva digitalização dos laboratórios, Leonardo Bocabella se mantém firme na entrega de trabalhos personalizados e elaborados manualmente.

Leonardo Bocabella prefere um modelo de negócio enxuto para manter a personalização do atendimento e da entrega dos trabalhos. (Fotos: acervo pessoal)

Por Renata Putinatti


“Embora meu sobrenome seja Bocabella, minha boca não era nada bela”, brinca Leonardo Bocabella, ao contar sobre o seu interesse pela área odontológica. Os problemas dentários durante a infância e pré-adolescência o levou a longos tratamentos em faculdades de Odontologia, e foi justamente esse histórico de contato constante com equipes de dentistas que despertou o seu interesse pela Odontologia.

Durante a adolescência, ele reafirmou a vontade de se graduar cirurgião-dentista. Mas, o destino se encarregou de mudar o rumo dessa história. “Quando terminei o ensino fundamental, descobri a possibilidade de fazer um curso técnico ao invés do ensino médio tradicional. Uma das opções era o curso de técnico em prótese dentária, que escolhi mesmo sem saber ao certo do que se tratava”, afirma.

Logo no início das aulas, ele se encantou com a profissão, principalmente por envolver trabalho manual. Assim, a graduação em Odontologia foi ficando de lado e dando espaço a uma nova paixão: a confecção de próteses dentárias. Hoje, 21 anos após tomar sua decisão, tornou-se referência profissional na área Estética por desenvolver trabalhos cerâmicos personalizados, totalmente artesanais e com resultados muito naturais.


Desenvolvimento da carreira

Aos 18 anos de idade, após um período de estágio de seis meses, Bocabella foi convidado para integrar a equipe de TPDs de um laboratório de Campinas (SP), onde trabalhou de 1999, ano em que concluiu o curso técnico, até 2014, quando abriu seu próprio laboratório. Esses 15 anos foram muito frutíferos em sua carreira, foi um período de amadurecimento, estabilização no mercado e projeção nacional e internacional.

Por ter habilidade manual, Leonardo Bocabella descobriu nos materiais cerâmicos e na área Estética o verdadeiro norte para sua carreira. Foram muitos cursos e especializações para alcançar o nível de qualidade e domínio que imprime em seus trabalhos atualmente – todos personalizados e artesanalmente produzidos. “Participei de um curso de 18 meses ministrado pelo Giovani Gambogi, que considero o primeiro mais importante da minha trajetória. Depois vieram aulas com Rodrigo Mansano e Murilo Calgaro, de quem me tornei muito amigo e quem me colocou em contato com profissionais do exterior”, conta.

Em meio ao emprego no laboratório e aos cursos que frequentava, começaram a surgir convites para ministrar aulas em congressos. Paralelamente, sua proximidade com dentistas foi crescendo e ele conquistou diversos clientes. Em 2010, por intermédio de Murilo Calgaro, foi apresentar os primeiros trabalhos em outros países. Nessa mesma época, conheceu prostesistas que tinham interesse em protéses personalizadas, o que ia de encontro ao que Bocabella buscava profissionalmente. “Para mim, a questão humana sempre foi muito importante. Gosto de participar do tratamento, saber pessoalmente sobre a expectativa do paciente e ver sua satisfação após a reabilitação. É gratificante contribuir na melhora da autoestima das pessoas”, ressalta.

Em 2014, Bocabella já estava estabilizado no mercado e percebeu que era o momento certo para abrir o próprio laboratório. Desde então, atua ao lado da esposa, que gerencia a empresa, e de um funcionário. Satisfeito com o modelo de negócio adotado, não pretende expandi-lo. “Consigo atender um número menor de casos clínicos e manter a personalização”, argumenta. Além disso, por entregar próteses artesanais, o laboratório não requer muito maquinário, e todo investimento é realizado em materiais de ponta, cerâmicas e fornos de alta qualidade. “Entendo que na área laboratorial há uma forte tendência de produzir em larga escala, mas não pretendo mudar minha forma de trabalho. Com certeza, o nicho de próteses personalizadas é onde quero ficar”, finaliza.