Publicado em: 09/11/2017 às 17h04

Laminados cerâmicos ultrafinos na reabilitação de dentes desgastados por parafunção

Bruxismo e apertamento têm feito com que cada vez mais pacientes apresentem sinais de perdas de estruturas como o esmalte dental.

É cada vez mais comum a presença de pacientes com desgastes em dentes naturais nos consultórios odontológicos. O atual estilo de vida, com maior carga emocional e estresse, cria um ambiente favorável para o aumento da prevalência de parafunções, como o bruxismo e o apertamento, e tem feito com que cada vez mais cedo os pacientes apresentem sinais de perdas de estruturas importantes e insubstituíveis, como o esmalte dental. Estudos mostram que a prevalência de bruxismo varia de 20% a 25% em crianças, de 5% a 8% na população adulta e 3% nos idosos. No entanto, cerca de 90% da população relatam bruxismo em algum grau durante algum período da vida1.

Bruxismo e apertamento estão entre os hábitos mais deletérios para qualquer tratamento protético, causando problemas de ordem estética e funcional. No entanto, isso não contraindica o tratamento com laminados cerâmicos. Pelo contrário, esses são os pacientes que mais irão necessitar de reabilitações das estruturas dentais perdidas pelo atrito dos dentes e restabelecimento de forma e função, que podem e devem ser realizados de maneira conservadora e estética através dos laminados cerâmicos, principalmente pacientes jovens e com grande parte da estrutura natural dos dentes preservada.

Essa reabilitação, porém, deve ser feita respeitando os protocolos de manutenção e controle do bruxismo e apertamento, que envolvem a utilização de placas protetoras e miorrelaxantes, e um controle periódico estabelecido pelo dentista.


Laminados cerâmicos

O tratamento com os laminados cerâmicos ultrafinos ou lentes de contado dentais, como popularmente ficou conhecida a técnica, já representa uma modalidade consagrada na Odontologia, com resultados estéticos e de eficiência comprovados a longo prazo2-3. Ele representa uma forma conservadora de restabelecimento das estruturas perdidas pelo desgaste causado pela atrição durante as fases características do bruxismo, principalmente porque permite o revestimento do esmalte natural do dente, sem a necessidade de desgastes.


Planejamento, previsibilidade e longevidade: por que devemos evitar términos cervicais?

Assim como qualquer outro tratamento odontológico, o planejamento constitui a base do sucesso com laminados cerâmicos. Por essa razão, a associação entre os planejamentos virtuais e as técnicas convencionais de enceramento diagnóstico e mock up é fundamental para o tratamento transcorrer de forma previsível.

A ausência de desgastes também é uma condição fundamental para o sucesso em longo prazo, sobretudo na região cervical dos dentes. Ao considerar que nos dentes anteriores a espessura do esmalte na região próxima à junção cemento/esmalte tem, em média, 0,31 mm4, então, mesmo nos preparos mais conservadores, durante a confecção do término cervical, a camada de esmalte é inevitavelmente removida nessa área, reduzindo a capacidade de vedamento da restauração pelo processo de cimentação adesiva e comprometendo a longevidade do tratamento.

O caso a seguir visa evidenciar a importância dos tratamentos totalmente conservadores no restabelecimento da estética e função de uma paciente jovem, através do uso de laminados cerâmicos de mínima espessura.


Sugestões de leitura

1. Kato T, Rompré PH, Montplaisir JY, Sessle BJ, Lavigne GJ. Sleep bruxism: an oromotor activity secondary to micro-arousal. J Dent Res Alexandria 2001;80(10):1940-44.

2. Layton DM, Clarke M, Walton TR. A systematic review and meta-analysis of the survival of feldspathic porcelain veneers over 5 and 10 years. Int J Prosthodont 2012;25(6):590-603.

3. Layton DM, Clarke M. A systematic review and meta-analysis of the survival of non-feldspathic porcelain veneers over 5 and 10 years. Int J Prosthodont 2013;26(2):111-24.

4. Atsu SS, Aka PS, Kucukesmen HC, Kilicarslan MA, Atakan C. Age-related changes in tooth enamel as measured by electron microscopy: implications for porcelain laminate veneers. J Prosthet Dent 2005;94(4):336-41.

 

Autor:

Daniel Hiramatsu
Mestre em Reabilitação Oral – FOB/USP; Membro do corpo clínico da Vasconcelos Odontologia (São Paulo); Membro do corpo docente permanente do BOC São Paulo.

 

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