Publicado em: 09/11/2017 às 17h12

Softwares: os cérebros da Odontologia Digital

A revolução gerada pelo universo digital tem demonstrado estarmos no início de uma nova era.

A Odontologia tem vivido uma evolução sem precedentes nos últimos anos, com inovações constantes na tecnologia digital que vencem barreiras e criam novas fronteiras do conhecimento em benefício de um número cada vez maior de profissionais e pacientes, gerando tratamentos mais previsíveis e altamente precisos.

Entretanto, cabe salientar que a excelência de resultados não nasce dos equipamentos e softwares, e sim de uma Odontologia praticada com rigor técnico e baseada em evidências científicas, utilizando estes novos recursos como um meio e não como um fim em si. Erroneamente, acreditamos que scanners, softwares e impressoras 3D irão compensar deficiências técnicas da Odontologia convencional.

Pelo contrário, atualmente estas tecnologias apresentam limites relacionados aos recursos presentes nos softwares (CAD) e processos produtivos (CAM) que limitam a sua atuação em casos de alta complexidade, como preparos mal executados ou implantes com posicionamento inadequado.

Dentro deste contexto, não há como negar que a tecnologia CAD/CAM é uma realidade cada vez mais presente nos consultórios ao redor do mundo e um caminho sem volta. A atual geração e as futuras serão beneficiadas com possibilidades abrangentes para o planejamento digital do sorriso, elaboração de protocolos cirúrgicos e realização de reabilitações protéticas com excelência estética e funcional. No universo odontológico digital, o fluxo de trabalho pode ser dividido em quatro etapas distintas: 1) Aquisição de imagem; 2) Desenho (CAD); 3) Produção (CAM); e 4) Finalização estética, sendo que focaremos a etapa CAD deste processo.


CAD – computer-aided design

Uma vez adquirida a imagem digital através do escaneamento intraoral ou do escaneamento do molde ou modelo no laboratório utilizando um scanner de bancada, inicia-se o processo de criação da reabilitação protética utilizando um software.

Atualmente, no mercado estão disponíveis versões com vários níveis de complexidade para a produção de abutments e próteses, produzidos por diferentes fabricantes, quase todos internacionais. Alguns pontos merecem destaque quando o assunto é seleção do software a ser adquirido:

a. Reabilitações protéticas: usualmente, os softwares são comercializados em módulos que podem ser básicos ou completos, e é fundamental alinhar as características deles com as demandas protéticas a serem produzidas. Por exemplo, um software pode estar apto a desenhar um abutment ou coroa protética, mas não uma estrutura de protocolo. Portanto, conhecer o que ele é ou não capaz de fazer antes de adquiri-lo é muito importante para evitar novos investimentos em curto prazo;

b. Arquivos que podem ser analisados: a grande maioria dos scanners intra e extraorais disponível atualmente gera arquivos do tipo STL (standard triangle language) e, desta forma, o software deve estar apto a ler este tipo de arquivo e trabalhar sobre ele. Entretanto, há casos de arquivos com terminações específicas e que só podem ser lidos por softwares que os reconheçam. Desta forma, faz-se necessário avaliar o tipo de arquivo que será gerado na fase de digitalização do caso clínico e exportado para o software, certificando-se de que poderá ser lido corretamente;

c. Bibliotecas: um dos pontos mais relevantes na definição do software está relacionado às bibliotecas (dentes ou implantes) disponíveis para o usuário. Esta característica faz total diferença para a eficiência produtiva com alta qualidade. Como exemplo, se o profissional trabalha com determinada marca comercial de implantes, é fundamental que ela esteja disponível na biblioteca do software, caso contrário não será possível realizar os desenhos digitais dos abutments ou reabilitações protéticas corretamente. É muito recomendável que o profissional conheça as marcas comerciais de implantes disponíveis no software que pretende adquirir, para garantir que não haverá dificuldades na realização das reabilitações protéticas. Vale salientar que as empresas têm atualizado suas bibliotecas constantemente para atender a um número crescente de profissionais que, por sua vez, também estão criando seus próprios bancos de dados;

d. Licenças: outro fator importante está relacionado ao tipo de licença adquirida pelo profissional, pois existem empresas que demandam a renovação anual, o que gera custos adicionais aos usuários, enquanto outras não cobram por esta atualização. Dentro deste cenário, o profissional deverá se informar quanto ao valor do software, período de renovação e suporte técnico para estar bem assistido quando precisar esclarecer dúvidas técnicas, assim como ter acesso a novas ferramentas e bibliotecas que são atualizadas constantemente;

e. Suporte técnico: como em qualquer área do conhecimento, existe uma curva de aprendizagem até conseguir extrair o melhor de cada software. Neste sentido, poder contar com um suporte técnico eficiente é fundamental para a alta produtividade e qualidade dos trabalhos desenhados pelo software. Este suporte técnico pode estar incluso no valor da licença ou ser contratado à parte, mas é de suma importância que o profissional seja assistido sempre que precisar de apoio para situações simples ou complexas.


Conclusão

A revolução gerada pelo universo digital tem demonstrado estarmos no início de uma nova era, na qual precisamos atualizar conhecimentos, ampliar horizontes e transpor as barreiras impostas pelo limite do conhecimento atual em benefício do sorriso dos pacientes.

 

Autores:

Fábio José Barbosa Bezerra
Especialista em Periodontia e Implantodontia; Mestre em Periodontia; Doutor em Biotecnologia.


Rodrigo Bicalho Queiroga
Especialista em Dentística; Master em Cerâmica pelo Instituto Paulo Kano; Mentor e speaker da Dentsply Sirona; Consultor da Ivoclar Vivadent.

 

Caso clínico 1

Caso clínico 2