Publicado em: 27/02/2018 às 09h20

Como evitar o rasgamento do molde de silicone de adição em casos de facetas tipo lentes de contato com preparos minimamente invasivos?

Na coluna Pergunte ao especialista, Eduardo Miyashita responde aos leitores da revista PróteseNews.

Como evitar o rasgamento do molde de silicone de adição em casos de facetas tipo lentes de contato com preparos minimamente invasivos?
Algumas moldagens têm falhado nas áreas interproximais e o protético não consegue fazer a duplicação dos modelos para os ajustes das áreas de contato proximal dos laminados cerâmicos.
Pergunta enviada por Jefoni Derosso, de Pelotas (RS).


Eduardo Miyashita: Esse é um dos grandes desafios ao usar as facetas laminadas tipo lentes de contato. Em casos nos quais os preparos não apresentam a separação das áreas interproximais com tiras de lixa de aço ou discos finos, não é possível dar acabamento adequado às lâminas na região interproximal, o que resulta numa margem irregular da cerâmica e gera manchamento ao longo do tempo.

Outro fator que leva a esse rasgamento do material de moldagem é a presença de espaços negros (black spaces) nas áreas interproximais na região das papilas, o que acarreta retenção do material de moldagem. Nesse caso, o uso da aplicação de barreira gengival por palatino, tomando o cuidado de não deixar o material extravasar por vestibular além da linha de terminação do preparo por proximal, evita o rasgamento do molde de silicone. Uma segunda possibilidade é o uso simultâneo de material de moldagem fluido e de diferentes consistências. O material leve copia melhor áreas intrassulculares, mas apresenta menos resistência ao rasgamento. Por outro lado, o material de consistência média apresenta maior resistência ao rasgamento, mas não copia detalhes marginais proximais e intrassulculares, dessa forma, a sua associação é uma opção.
 

Caso clínico 1 – Laminados finos com retenção nas áreas interproximais.

Figura 1 – Vista inicial do sorriso com incisivos centrais 11 e 21 escurecidos por trauma dentário na infância e dente 22 com posicionamento levemente para palatino, o que promove uma aparência mais escura pela diferença na reflexão da luz incidente.

 

Figura 2 – Avaliação da cor do substrato da dentina e do esmalte dentário em relação à escala de cor.

 

Figura 3 – Preparo minimamente invasivo para laminados cerâmicos, com ponta diamantada com término cervical e proximal.

 

Figura 4 – Uso de tira de lixa de aço para acabamento interproximal do preparo.

 

Figura 5 – Moldes obtidos com diferentes materiais e com falhas de rasgamento nas áreas interproximais. Nesses casos, troquéis podem ser obtidos em diferentes moldes nos preparos que não tiveram rasgamento e podem ser ajustados no modelo rígido.

 

Figura 6 – Modelo de gesso obtido com mínimas irregularidades na região interproximal. O acabamento marginal deve ser realizado nos troquéis individuais dos preparos.

 

Figura 7 – Modelo rígido para ajustes proximais e incisais dos laminados cerâmicos e troquéis dos preparos para laminados para acabamento das margens.

 

Figura 8 – Laminados em e.max Press sobre o modelo de gesso.

 

Figura 9 – Laminados tipo lentes de contato. 

 

Figura 10 – Prova de cor do cimento com pastas try in.

 

Figura 11 – Cimentação dos laminados cerâmicos.

 

Figura 12 – Vista final do sorriso.

 

Caso clínico 2 – Moldagem com silicone de adição com diferentes consistências.
 

Figura 1 – Vista inicial com simulação (mock up) com resina bisacrílica nos dentes 15 a 25, em caso de diastemas por discrepância do tamanho de dentes e do arco dentário após tratamento ortodôntico.

 

Figura 2 – Cirurgia de aumento de coroa clínica sem retalho (flapless) com uso de pontas diamantadas em ultrassom nos dentes 15, 14, 24 e 25 e preparos minimamente invasivos dos dentes 15 ao 25.

 

Figura 3 – Colocação de fio de algodão #OOO (Ultrapack) para afastamento gengival sem vasoconstritor.

 

Figura 4 – Colocação de pasta adstringente de afastamento gengival (3M) de cloreto de alumínio 15%. Observa-se o cuidado em não aplicar esse produto diretamente sobre o tecido ósseo, nesse caso imediato à cirurgia de aumento de coroa clínica.

 

Figura 5 – Aplicação de material de consistência fluida com seringa de moldagem descartável estéril.

 

Figura 6 – Colocação dos materiais de consistência massa e média na moldeira metálica.

 

Figura 7 – Vista do molde de silicone com materiais de diferentes consistências. 

 

Figura 8 – Laminados cerâmicos (e.max Press) preparados para a cimentação.

 

Figura 9 – Vista intraoral dos laminados realizados.

 

Figura 10 – Vista do sorriso final.

 

 

 

Eduardo Miyashita
 

Professor titular do Depto. de Odontologia, disciplina de Prótese Dental – Unip/SP; Doutor em Odontologia Restauradora – Unesp/SJC.