Publicado em: 11/06/2018 às 10h00

O técnico digital contemporâneo

O novo profissional terá que entender os princípios de forma e morfologia, estratificação e cores, integração e arranjo facial.

O futuro da Odontologia Estética Restauradora na região anterior certamente está se deslocando para o mundo digital. Os designers de sorriso se tornarão também designers digitais. As máquinas de usinagem e impressão vão substituir procedimentos analógicos, como aplicação, enceramento manual, montagens, reduções, modelamentos etc.

Mas esse novo profissional – o designer digital – somente será capaz de explorar toda a potencialidade dessa tecnologia maravilhosa através do entendimento dos princípios de forma e morfologia, estratificação e cores, integração e arranjo facial.

Os princípios analógicos serão a chave desse processo de aprendizado. Assim, a prática dos procedimentos manuais definitivamente será a melhor e única maneira de se tornar um especialista em desenho digital do sorriso.

A habilidade do artista não está apenas nas mãos, mas principalmente nos olhos. Assim, o entendimento de como visualizar a beleza em 3D é a chave. Tornar-se um técnico digital contemporâneo muito bom não é tão fácil quanto costumava ser para se tornar um técnico de laboratório tradicional. Os desafios mudaram.

Por isso, os técnicos precisam compreender cinco fatores para uma Odontologia Digital contemporânea bem-sucedida:

1. Desenho digital do sorriso guiado pela face: a posição 3D e o arranjo dos dentes e gengiva, relacionado à dinâmica labial e da face;

2. Manipulação dos arquivos digitais com algoritmos naturais; Seleção do material para impressão, usinagem e prensagem. Já que as restaurações serão monolíticas, a chave é selecionar o valor correto e, assim, as restaurações terão harmonia;

3. Conhecimento sobre o programa 3D;

4. Ajuste, acabamento, adaptação, polimento, caracterização e glaze. Caso desenvolvido por Angelo Raphael (DSD 2D e Cerec Design), DSD 3D (DSD Planning Center), Sergio Saraiva (procedimentos clínicos) e Well Lab (acabamento cerâmico).

Neste momento, eu diria que 60-70% das restaurações na região anterior podem ser resolvidas com beleza usando as restaurações monolíticas CAD/CAM. Ainda temos situações nas quais a estratificação convencional e/ou prensagem pode ser a melhor escolha.

Há situações em que acredito que ainda dependemos de um ceramista da velha guarda, fazendo procedimentos tradicionais (mas isso muda rapidamente):

1. Facetas ultrafinas (0,1 mm - 0,2 mm);

2. Compatibilizar os anteriores unitários com os dentes naturais adjacentes;

3. Restaurações vizinhas com substratos muito diferentes;

4. Restaurações parciais/fragmentos cerâmicos.

Por 18 anos, fui um ceramista tradicional e tenho muito orgulho disso. Comecei em 1994, trabalhando com meu pai. Depois de combinar o fluxo de trabalho do NemoDSD com o sistema Exocad, começamos a integrar o fluxograma da restauração natural digital DSD no sistema Sirona/Cerec. Os resultados foram impressionantes, com um sistema simples e reprodutível de trabalho. Essa integração foi desenvolvida em parceria com o Dr. Angelo Raphael, do Rio de Janeiro (RJ).

Essa é a forma com a qual trabalho neste momento e, provavelmente, vai mudar quando a documentação facial 3D se tornar precisa, fácil o suficiente e incorporar movimento para finalmente substituir fotos e vídeos 2D. Quando isso ocorrer, o processo de desenho do sorriso interdisciplinar guiado pela face será completamente 3D. O futuro é excitante, mas o presente já é espetacular.

Figuras 1 a 4 – A impressionante beleza das formas das restaurações naturais monolíticas feitas em máquinas de usinagem, sem procedimentos manuais sofisticados, direto para a boca.

 

Figura 5 – Pré-operatório. 

 

Figura 6 – DSD 2D facialmente guiado. 

 

Figura 7 – NemoDSD 3D.

 

Figura 8 – Mock-up.

 

 

Figura 9 – Mock-up guiado pré-operatório. 

 

 

 

Figura 10 – Modelo digital.

 

 

Figura 11 – DSD 3D importado pelo InLab. 

 

Figura 12 – Restaurações digitais InLab. 

 

Figura 13 – Final.

 

Figuras 14 – Finalização do caso.

 

Caso desenvolvido por Angelo Raphael (DSD 2D e Cerec Design), DSD 3D (DSD Planning Center), Sergio Saraiva (procedimentos clínicos) e Well Lab (acabamento cerâmico).

 


 

Christian Coachman

Dentista e ceramista graduado pela USP; Criador do Conceito DSD; Palestrante e consultor internacional; Membro da Academia Brasileira e Americana de Odontologia Estética; Clínica particular em São Paulo.

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