Publicado em: 11/06/2018 às 11h10

Desafios das reabilitações sobre implantes

A recomposição de uma região de pré-maxila com defeito ósseo vertical ainda pode ser considerada um desafio para os profissionais.

Focada no trabalho laboratorial, um dos propósitos desta coluna, que estreia nesta edição, é mostrar alguns dos desafios que o técnico em prótese dentária enfrenta em busca de soluções que exigem conhecimento e sólida experiência.

Em diversas situações clínicas, restauramos partes ou a totalidade dos dentes perdidos por meio de variadas técnicas e materiais. Em uma reabilitação sobre implantes, a retenção mecânica ocorre por meio dos parafusos, transformando o conjunto prótese-implante em um único sólido.

A Odontologia Reabilitadora considera um trabalho de excelência aquele que, independentemente do caminho tomado, obtém como resultado final uma correta reprodução das arcadas dentárias e máxima estética, obedecendo aos parâmetros funcionais, dificultando ou eliminando tanto quanto possível a percepção do artificial1.

No entanto, a recomposição de uma região de pré-maxila com defeito ósseo vertical ainda pode ser considerada um desafio aos profissionais envolvidos. Mesmo com uma série de técnicas à disposição, como o planejamento reverso e cirurgias reconstrutivas prévias à instalação dos implantes, no cotidiano do laboratório, percebe-se que o ideal cirúrgico, às vezes, escapa ao desejo da clínica, restando casos em que algumas dificuldades persistem. Da mesma forma, o ideal de estética presente no imaginário coletivo nem sempre é facilmente alcançado (Figura 1).   

Figura 1 – Exemplo da complexidade do universo cirúrgico e seus desafios.

 

Figura 2 – Infraestrutura metálica parafusada diretamente sobre dois implantes, onde se observa o túnel de parafusamento saindo pela borda incisal do elemento 11.

 

Figura 3 – Assentamento dos copings metálicos.

 

Figura 4 – Visão in loco da adaptação das supraestruturas.

 

Figura 5 – Supraestruturas assentadas.

 

Figura 6 – Visão por lingual das supraestruturas assentadas e parafusadas.

 

Nesse contexto, a realidade se impõe e o laboratório é chamado a contribuir e impelido a recorrer a soluções não padronizadas, na tentativa de eliminar ou reduzir as limitações.

No caso a seguir, o autor Jhone de Souza Cruz relata uma alternativa para a solução de um problema complexo, causado pela vestibularização dos implantes por meio de parafusamento indireto de duas coroas em infraestrutura metálica. Uma das vantagens, além de ser uma possibilidade clínica, é conferir a reversibilidade. Nesse caso, poderia ser feita a mesma estrutura com copings cimentados, porém, quando houver remoção do sistema, por qualquer razão, será necessário sacar as coroas e haverá risco de fraturar suas bordas cervicais e possível perda, sendo necessário confeccioná-las novamente ou, pelo menos, as unidades que foram cimentadas.   

Com o parafuso transversal, pode-se remover a restauração a qualquer momento, já que não tem cimento entre a infra e a supraestrutura, apenas um selante, bastando sacar a cobertura do parafuso e retirá-lo2. Na tentativa de diminuir eventuais desafios, os melhores resultados normalmente são obtidos quando agregamos experiência e uma dose de criatividade ao cenário, aumentando as chances de uma adequada finalização.   
 

Figura 7 – Conjunto dentogengival em posição no modelo.

 

Figura 8 – Coroa assentada.

 

Figura 9 – Coroa sendo posicionada.

 

Figura 10 – Coroas já posicionadas revelando a inter-relação com a gengiva marginal. 

 

Figura 11 – Soma-se ao conjunto a justaposição da gengiva cerâmica do elemento 23.

 

Figura 12 – Caso concluído e pronto para ser enviado ao clínico. Nota-se a gengiva artifi cial em cerâmica e o parafusamento lingual indireto, que atuam como elementos de união e amenizam o quadro de limitações cirúrgicas e protéticas.

 

 

 

Referências

1. Francci CE, Saavedra GSFA, Nishida AC, Luz JN. Harmonização do sorriso. In: Odontologia estética – os desafios da clínica diária. 1a ed. Nova Odessa/SP: Editora Napoleã o Ltda., 2014, p.24-61.

2. Ricci WA, Mello Jr. F, Bertholfo G, Albino LGB. Parafusamento transverso em prótese sobre implante: aspectos inovadores no design e na aplicação do sistema. International Journal of Brazilian Dentistry 2015;11(1):30-42.

 

 

 
   

Coordenador:

Hilton Riquieri

Especialista, mestre e doutor em Prótese Dentária pelo ICTUnesp, São José dos Campos/SP.

 

 

 

 
   


Jhone de Souza Cruz

TPD ceramista; Cirurgião-dentista pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; Clínica privada em Jequié/BA.