Publicado em: 11/06/2018 às 11h20

Wagner Nhoncance, um discípulo da precisão

O ceramista chefe do Laboratório Precision, do Grupo Ateliê Oral, destaca a importância do trabalho integrado entre clínicos e TPDs.

Wagner Nhoncance é o ceramista chefe do Laboratório Precision, do Grupo Ateliê Oral.


Por Andressa Trindade

 

Ainda bem que antes de se matricular no curso técnico de processamento de dados, Wagner Nhoncance teve contato com o dia a dia de alguns colegas que haviam ingressado na faculdade de Odontologia em Santos, SP. “O interesse que eu já tinha por trabalhos manuais foi impactado pelas atividades de prótese que eles faziam para as aulas. Não tive dúvidas e procurei o curso técnico de laboratório em Prótese Dentária”, conta Nhoncance, chefe ceramista e sócio do Laboratório Precision, do Grupo Ateliê Oral.

Desde que se formou como técnico em prótese dentária, em 1995, ele tem preferência pela prótese fixa, além de ter se especializado em cerâmica dental, com cursos no Brasil e no exterior. Sua metodologia de trabalho é pautada no planejamento e nos testes antes da aplicação, visando minimizar possíveis falhas. “Devemos partir para a confecção das porcelanas somente após o teste funcional e estético, ou seja, o mock-up. É nesse momento que realizamos todos os ajustes necessários e algumas fotografias que guiarão as etapas subsequentes. É um método adotado por diversos profissionais da Odontologia, pois funciona muito bem e é mais simples para realizar ajustes finos no test drive do que no trabalho final”, esclarece. 

Em 2001, alguns anos depois de ter o diploma em mãos, o TPD abriu seu primeiro laboratório em Santos, o Chroma, na época em que as próteses metalocerâmicas se tornavam bastante conhecidas – por isso ele se aprofundou nos fundamentos dessa modalidade de restauração. Passados três anos, sentiu a necessidade de ir além, aumentar a estrutura do seu negócio e mudou para um espaço maior e mais moderno, onde era possível receber os pacientes dos clientes para fotografá-los com escala de cor e, assim, reproduzir em cerâmica os efeitos e as características dos dentes naturais.

Em 2008, buscando evoluir em relação à tecnologia na Prótese Dentária, Nhoncance adquiriu um scanner de modelos para produzir infraestruturas em zircônia – material que era considerado a evolução do metal. “Eu e um grande amigo, o Ismael Silva, conhecido como Birigui, unimos nossos laboratórios para somar conhecimento e oferecer trabalhos ainda mais modernos aos nossos clientes”, relembra. Pouco depois, ele teve a experiência de trabalhar bem próximo aos dentistas quando Murilo Calgaro o convidou para integrar a equipe de TPDs que atendia o protesista belga Eric Van Dooren. “Viajávamos de tempos em tempos para Antuérpia, na Bélgica, para realizar alguns projetos para Van Dooren”, conta. 

A rotina de Nhoncance inclui aulas em cursos e congressos pelo Brasil.

 

Nova fase e a importância da tecnologia

Após essa fase, o TPD sentiu que não fazia sentido voltar à vida profissional pautada unicamente pelo laboratório. Esse foi o pontapé para procurar a equipe do Ateliê Oral. “Precisei de pouco tempo para perceber que a cultura e os valores da clínica estavam completamente conectados aos meus”, relembra. Em 2010, os sócios Marcelo Moreira, Marcelo Kyrillos e Luis Calicchio convidaram Wagner Nhoncance para trabalhar no laboratório Precision, pertencente ao mesmo grupo do Ateliê Oral e que havia sido fundado em meados dos anos 2000. Três anos depois, ele passou a integrar a sociedade. “Naquela época, o trabalho extremamente artesanal da empresa passava por uma fase de transição. Minha missão foi digitalizar totalmente os processos e, sobretudo, auxiliar na transformação do mindset dos clientes, do analógico para o digital”, explica. Durante dois anos, o TDP conciliou os dois laboratórios, o Chroma e o Precision, mas decidiu encerrar a sociedade do primeiro e se dedicar totalmente ao segundo. 

Para Nhoncance, inicialmente, a tecnologia foi incorporada aos laboratórios tendo em vista melhorar a qualidade final dos trabalhos, entregando mais previsibilidade de resultado aos TPDs. Porém, a maneira artesanal e artística de produzir próteses ainda permanecia. “Com a chegada dos sistemas CAD/CAM e a mudança de cultura dos técnicos e dentistas com relação à digitalização, pudemos ver um aumento significativo na produtividade dos laboratórios, o que resulta diretamente em um número maior de pessoas beneficiadas e custos reduzidos”. Mas, para ele, vale o alerta de sempre manter os pés no chão e ter paciência para dosar o próximo passo – afinal, o valor investido em inovações é alto e, para isso, o plano de negócios deve ser bem dimensionado e alinhado.

Hoje, além de ser chefe ceramista do Precision, Nhoncance também faz parte do time de palestrantes do Ateliê Oral – as duas empresas contam com um total de 80 funcionários. Na visão dele, hoje, os principais objetivos do negócio são fazer os clientes – e os clientes dos clientes – plenamente satisfeitos e contribuir positivamente para a carreira de cirurgiões-dentistas, compartilhando conhecimento e auxiliando na condução dos casos clínicos. 
 

Música é a outra paixão de Nhoncance.
Ele é baterista da banda Doc’n Roll,
composta apenas por profissionais da Odontologia.
O TPD foi um dos autores do livro Arquitetura
do sorriso e a construção de uma marca,
a quarta publicação da trajetória do Ateliê Oral.


Experiência e futuro

Com mais de 20 anos de experiência na área, Nhoncance reflete sobre o quanto seu trabalho melhorou depois que passou a entender os feedbacks negativos de clientes como grandes oportunidades de melhorar. “Também tive um relevante crescimento profissional depois que comecei a frequentar os consultórios dos dentistas para acompanhar a prova e finalização dos trabalhos”, relembra, destacando o quanto é importante conhecer o lado do dentista para entender as dificuldades e particularidades do dia a dia clínico.

Quando questionado sobre os planos da sua profissão, do Precision e da Prótese Dentária, ele entende que os três convergem para uma única resposta: é preciso investir em formação de pessoas, sustentabilidade, tecnologia de ponta e suporte personalizado aos clientes.

E como a vida não é só trabalho, entre uma prótese e outra o TPD gosta mesmo é de se dedicar à música. “Desde 2017 sou baterista da banda Doc’n Roll. Formada somente por profissionais de Odontologia, foi criada por mim e pelo José Luis Nascimento Junior. Também fazem parte do time Adriano Gudjenian, Anderson Bernal, os irmãos Gustavo e Marcelo Giordani, Thiago e Gustavo Ottoboni. A cada ensaio ou apresentação, saímos com as energias renovadas. Viramos uma família”, finaliza.