Publicado em: 11/06/2018 às 11h30

Biografia: Artemio Zanetti e a paixão que bate à porta

Sede pelo conhecimento: são 71 anos de experiência como técnico em prótese dentária e mais de 60 anos como protesista.

Artemio Luiz Zanetti sempre teve sede pelo conhecimento e por compartilhá-lo com os alunos.(Ilustração: Lézio Júnior)


Por Andressa Trindade

 

Viajar pela Itália, apreciar bons rótulos de vinho, cuidar do sítio e estar junto com a família: é assim que Artemio Luiz Zanetti gosta de levar a vida. Filho de imigrantes italianos e nascido em 6 de janeiro de 1930, é casado há 59 anos com Edith Zanetti. Pai de dois filhos, Randal e Raquel, tem três netos: Daniela, estudante de Administração de Empresas; Carolina, estudante de Direito; e Giovanni, aluno do ensino médio.

A paixão pela Odontologia surgiu quando ele era office boy de um laboratório de prótese dentária. Após tomar gosto pelo ofício, em 1947 tornou-se técnico na área e abriu o próprio negócio, no centro de São Paulo. Após alguns anos, depois de deslocar a sede para o bairro da República, o nome da empresa mudou para Laboratório Bandeirantes, um dos mais tradicionais da cidade. Desde que se encantou pela profissão, Zanetti não parou mais de crescer e avançar a passos largos. Formou-se na Faculdade de Odontologia da Universidade São Paulo (USP) em 1958 e, após abrir seu consultório na região do Ipiranga, passou a conciliar a vida de TPD com a clínica. Desde 1989, ele atende seus pacientes no consultório localizado na Vila Nova Conceição, região nobre da capital paulista. 

Artemio Zanetti em visita à cidade natal dos pais na Itália, em 2017. (Fotos: acervo pessoal)

 

Tamanha dedicação despertou o interesse de várias gerações de sua família. “Meus dois filhos cursaram Odontologia. Randal é fundador da Odontoprev, empresa de assistência odontológica, e a Raquel fez mestrado e doutorado em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia da USP, e até hoje trabalha comigo. Minha nora, Anete, também é formada pela USP e especializada em Periodontia. Meu irmão Fiorindo se tornou cirurgião-dentista incentivado por mim e ainda tem uma filha dentista”, relata.

 

Ao lado da equipe no congresso DYNA, na Holanda, quando foi apresentar um trabalho.

 

Como coordenador do mestrado de Prótese da Faculdade São Leopoldo Mandic, com Ricardo Inoue, Tatiane Duque e Raquel Zanetti.

 

Com tantos anos de carreira, não é de se estranhar que o protesista e TDP acumule cursos e cargos importantes para a profissão e para a academia. Especialista em Radiologia, possui doutorado e livre-docência em Prótese, tendo exercido o cargo de professor adjunto e titular da disciplina de Prótese da Fousp até 2000. Também foi, durante 30 anos, professor titular de Prótese da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), há 20 anos é professor coordenador do mestrado em Prótese da Faculdade de Medicina e Odontologia São Leopoldo Mandic e foi presidente da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral. Em sua vida acadêmica, Zanetti contabiliza uma passagem pela Faculdade Bandeirantes de Odontologia de Bragança Paulista, onde foi professor titular de Prótese entre 1973 e 1980 e vice-diretor da insituição entre 1976 e 1980.

Autor do livro Planejamento em Prótese Removível (em coautoria com a professora Dalva Cruz Laganá), Zanetti escreveu mais de 50 artigos científicos e orientou cerca de 100 profissionais que hoje são mestres e doutores, sempre com muito prazer em repassar todo o conhecimento que acumulou nesses anos de carreira. “A personalidade dele é marcante. Seus alunos sempre comentam que admiram sua energia e vitalidade, bem como a disciplina que mantém nos cursos. Meu pai é considerado por muitos como bravo, durão e bastante disciplinado, por isso acaba exigindo essa mesma postura nos ambientes acadêmico e profissional.  No entanto, ele é atento às dificuldades dos orientandos, está sempre aberto a uma nova piada e é uma manteiga derretida com os netos”, revela Raquel.

Uma de suas maiores alegrias é reunir os filhos e netos em confraternizações familiares.

 

Zanetti com parte da sua equipe em 1998, quando ainda era docente na Fousp.

 

Dentre os marcos de sua trajetória na Odontologia, muitos são os fatos que vêm à cabeça de Zanetti. “Um dos destaques foi quando ganhei o concurso para ser professor titular da Fousp, o que me abriu a possibilidade de coordenar o curso de pós-graduação em nível de mestrado no departamento de Prótese”, relembra.

 

Ao lado do irmão Fiorindo, que também seguiu carreira na Odontologia.

 

Em 2017, Artemio recebeu uma homenagem na Fousp e comemorou junto com o prof. José Todescan e a filha Raquel.

 

Ele também é o criador do patenteado dispositivo de transferência direta de moldes para o arco facial de articuladores semiajustáveis e ganhador do prêmio Pannain de Odontologia, na categoria de Próteses.

As áreas de pesquisa que sempre atraíram as energias do paulistano são: oclusão, biomecânica, prótese sobre implantes e prótese parcial removível (sobre a qual lecionou durante 60 anos). Zanetti divulgou, por meio de cursos nacionais e internacionais, os princípios fundamentais da oclusão – que, segundo ele, são a base para toda a Odontologia. Na área da Prótese Dentária, orientou trabalhos que visam melhorar as técnicas de preparo de boca em pacientes parcialmente edentados, como o uso de coroas guias de transferência que são utilizadas e divulgadas até hoje. Outra patente de sua autoria são as moldeiras para materiais pesados e leves, idealizados a partir do estudo biométrico com mais de 220 alunos da Faculdade de Odontologia da Unicid.

Zanetti é dono de uma personalidade forte e de uma igualmente vigorosa paixão pela Odontologia e constante busca pelo conhecimento. “Prótese é arte e ciência. A arte é a prótese em si, que pode ser nobre, seminobre ou pobre, dependendo do material utilizado. No entanto, ela será sempre iatrogênica se nós não fizermos a ciência primeiro”, declara.

Em uma das visitas à Itália, na companhia do filho Randal.

 

Família reunida para assistir a abertura dos Jogos Olímpicos, que aconteceu no Rio de Janeiro em 2016.