Publicado em: 17/08/2018 às 14h24

Afrouxamento e fratura de parafusos protéticos

Marco Bianchini traz detalhes de relevante estudo sobre complicações mecânicas relacionadas aos parafusos do pilar.

Um dos problemas mais recorrentes e desagradáveis para um protesista- implantodontista é o afrouxamento ou a fratura dos parafusos de retenção das próteses sobre implantes. E o pior de tudo é que este contratempo repete-se no mesmo paciente por várias vezes. Isto geralmente causa mau humor extremo a nós, profissionais, quando olhamos na agenda e já avistamos o nome daquele  paciente que está com a prótese frouxa novamente.

Agora em 2018, o nosso grupo aqui de Florianópolis, em conjunto com o grupo da professora Cimara Fortes Ferreira, da Universidade de Memphis nos Estados Unidos, publicou um estudo muito interessante1 (clique aqui para ler o artigo) sobre a incidência de afrouxamento ou fratura de parafusos de retenção protética ao longo dos anos. Além de avaliar a frequência dos afrouxamentos e/ou fraturas, este estudo também comparou se estes problemas ocorriam mais nos abutments angulados do que nos abutments retos.

O estudo avaliou componentes protéticos de uma mesma marca comercial, que estavam em boca há um ano ou mais, e que foram realizados em um mesmo local por alunos de cursos de aperfeiçoamento. Esta metodologia aproximou bastante os dados coletados da realidade que se vive no dia a dia dos nossos consultórios. No caso, os componentes eram da Implacil De Bortoli, ficaram em média cinco anos em boca, e os procedimentos foram realizados na USP (Universidade de São Paulo).

Os pilares selecionados foram divididos em dois grupos: pilares retos pré-fabricados e pilares cónicos pré-fabricados angulados. Um total de 916 pilares foram avaliados. O grupo dos pilares retos apresentou 91,1% de sucesso (ausência de falhas, que foram clinicamente definidas como qualquer afrouxamento ou fratura do parafuso); e 8,9% relataram algum tipo de complicação técnica. O grupo dos pilares angulados apresentou 92,3% de sucesso (ausência de falhas) e 7,7% algum tipo de complicação.

Ao considerar o tempo em função das próteses avaliadas neste estudo (média de cinco anos em função), os resultados demonstraram percentual semelhante a dados publicados na literatura, em que a média de tempo das próteses avaliadas foi de dez anos. Vale lembrar que, apesar de avaliarmos próteses com apenas um ano de utilização, também foram avaliadas próteses que estavam em funcionamento por até 14 anos. Desta maneira, a média geral de todos os casos avaliados ficou em cinco anos, que é um dado considerado bastante consistente.

A conclusão mais importante deste estudo é que houve a comprovação científica de um alto desempenho clínico, tanto dos pilares retos como dos pilares angulados, desmistificando a ideia de que pilares angulados têm um comportamento pior do que os retos. Desta forma, confirma-se que todos os componentes protéticos avaliados neste estudo, sejam eles pilares retos ou angulados, apresentaram alto percentual de sucesso.  Concluímos, também, que é possível utilizar pilares angulados quando os implantes não foram colocados em uma posição protética ideal.

Complicações mecânicas relacionadas aos parafusos do pilar que retém as próteses sobre implantes são comuns, além de consumir o tempo e a paciência, tanto de pacientes quanto de profissionais. Utilizar uma marca comercial que tenha estas complicações sob controle, e em níveis aceitáveis, é o que buscam os clínicos que verdadeiramente enfrentam estes problemas em seus consultórios. Assim, é extremamente recomendável que todas as empresas procurem realizar pesquisas que comprovem a eficácia dos seus produtos, principalmente aqueles que causam maiores dores de cabeça aos clínicos.

 

Referência
1 - ARAÚJO ET AL. IMPLANT DENTISTRY / VOLUME 27, NUMBER 2 2018

 

“ Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e tu me conheces por inteiro. Os meus ossos não te foram encobertos, quando eu estava sendo formado em segredo, e eu era tecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda na forma de um embrião; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; meus dias estavam marcados antes que chegasse o primeiro.” (Salmos 139, 14-16).

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br