Publicado em: 24/08/2018 às 09h20

Evolução no desenho do sorriso

Do 2D ao 3D, do analógico ao digital e da face à boca, Christian Coachman mostra como chegar o mais próximo possível do projeto ideal inicial.

Os desenhos são importantes para melhorar a visualização e o diagnóstico de problemas estéticos, desenvolver insights sobre possíveis soluções e auxiliar na interação com a equipe e o paciente. Mas, sem conhecimento, habilidades e protocolos para transformar esses desenhos em renderizações em 3D, eles permanecerão sendo apenas desenhos.

Toda vez que fazemos esses desenhos, precisamos entender como os transformaremos em uma realidade tangível. Para mim, desenhar sobre fotos faciais sempre foi a chave para ajudar a vincular o rosto do paciente ao modelo de trabalho, para que eu pudesse desenvolver sorrisos integrados à dinâmica labial e às características faciais. O principal desafio como técnico é que, embora os dispositivos analógicos, como arcos faciais e articuladores, permaneçam como ferramentas úteis para estabelecer parâmetros funcionais, eles não têm correlação com a delicada integração estética facial.

Meu objetivo era me tornar um designer de sorriso voltado para o rosto, e não apenas um ceramista. Eu queria passar de algumas restaurações anteriores simples para casos interdisciplinares mais complexos e entregar soluções aos meus dentistas que exigiriam um ajuste intraoral mínimo. Não importa se o protocolo é digital ou analógico, o mais importante é poder ver em 3D. O cérebro precisa ser treinado para ver beleza e ver em 3D.

Como técnico, tive os mentores Juvenal de Souza e Pinhas Adar no processo de ir além de ser um ceramista e me tornar também um verdadeiro smile designer. Embora eu tenha conhecido e aprendido com grandes ceramistas, Juvenal e Pinhas tinham um conjunto diferente de habilidades que me chamaram a atenção: a capacidade de interagir com o paciente e entender seus sonhos e desejos.

Eles também eram especialistas em análise facial e criação/personalização de sorrisos harmoniosos integrados com rostos. Juvenal desenvolveu uma técnica incrível em pesquisa morfológica para descobrir o melhor layout para pessoas que tiveram grandes perdas dentárias e ósseas, e quase sem referências intraorais.

Independentemente de serem utilizados protocolos analógicos ou digitais, a chave é a conexão 2D/3D – além de ser capaz de visualizar referências faciais para ajudar os técnicos a desenvolverem um projeto orientado facialmente no modelo de trabalho.

Como técnico, percebi que os dentistas passavam muito tempo na boca, reformulando e afinando o trabalho feito no laboratório. Como dentista e técnico, eu pude ver ambos os lados e entender que devemos fazer tudo o que for possível fora da boca para economizar “tempo na boca”. O tempo clínico é definitivamente muito caro, então, criar um trabalho com integração estética imediata ajudaria a economizá-lo.

Em muitas tentativas de trabalho no meu laboratório, eu percebia que faltavam parâmetros estéticos básicos e que eram necessários ajustes estéticos intraorais. Meu objetivo era reduzir essa lacuna, criando um protocolo mais eficaz para levar os clientes para a bancada do meu laboratório.

Para um designer de sorriso, não importa se o caso é uma resina composta simples direta ou uma faceta; uma reabilitação complexa; uma prótese total; ou até mesmo um caso ortodôntico complexo ou ortognático. O processo é sempre o mesmo. Inicialmente, vamos ignorar a estrutura intraoral e desenvolver o quadro de sorriso orientado facialmente, que sugere a posição ideal de dentes e gengiva na maxila em harmonia com a face.

É por isso que o melhor exercício é praticar o design dos planos de cera em pacientes edêntulos. Normalmente, dentistas e técnicos com experiência em próteses dentárias são naturalmente os melhores designers de sorriso porque eles estão acostumados a trabalhar com pacientes que não têm referências intraorais, então, a única referência para ser seguida é o rosto.

Depois de projetar a grade do sorriso acionado facialmente, pode-se iniciar sua comparação e a posição real dos dentes e da gengiva. Isso gerará o processo de planejamento de tratamento dirigido à face, que tem como objetivo um tratamento mais simples e minimamente invasivo, levando em conta a função, a biologia e a estrutura, e chegando o mais próximo possível do projeto ideal inicial.

 

Christian Coachman

Dentista e ceramista graduado pela USP; Criador do Conceito DSD; Palestrante e consultor internacional; Membro da Academia Brasileira e Americana de Odontologia Estética; Clínica particular em São Paulo.

www.digitalsmiledesign.com | www.wellclinic.com | info@digitalsmiledesign.com
instagram: @chriscoachman | facebook.com/christiancoachman