Publicado em: 24/08/2018 às 10h16

Murilo Calgaro, do Brasil para o mundo

O TPD e ceramista fala sobre os caminhos trilhados para hoje estar à frente do instituto de ensino que leva seu nome.

Entre passagens por São Paulo, Bélgica e agora Nova York, Murilo Calgaro revela todos os aprendizados e objetivos de sua carreira. (Imagens: divulgação)

 

Desde criança, o TPD e ceramista curitibano Murilo Calgaro sabe o que é o ambiente de um laboratório de prótese dentária. Por ser filho de Bito Calgaro e sobrinho de Joel Calgaro, dois grandes técnicos de prótese dentária brasileira, ele teve contato com a profissão logo cedo. Mesmo imerso nesse universo, Murilo não pensava em trabalhar na área – o que mudou a partir dos seus 16 anos, quando a família, aos poucos, o direcionou para esse caminho. “Meu pai e o meu irmão, Jeferson Calgaro, me ajudaram a entender que seria interessante experimentar essa profissão, tendo em vista a possibilidade de dar continuidade à trajetória iniciada por eles, já que o Jeferson havia optado pela carreira administrativa e os meus primos também tinham escolhido profissões diferentes. Então, ainda adolescente comecei a participar do dia a dia do laboratório da família”, relembra. Inicialmente, Calgaro atuou na recepção como office boy e depois como auxiliar administrativo.
 

 

O PONTO DA VIRADA

A carreira deste curitibano engrenou mesmo depois que o negócio começou a crescer. “O laboratório se tornou o maior da América Latina e foi nessa época, por volta de 1993, quando novos profissionais chegaram para reforçar a equipe, que conheci uma das pessoas que fez toda a diferença na minha vida, o Dornelles”, explica Calgaro.

Dornelles, que era o principal ceramista do laboratório, foi incentivado pelo pai de Calgaro a ensiná-lo a confeccionar elementos dentários, restaurações com cera, provisórios, entre outras estruturas. “Lembro-me de que ele, com toda a paciência do mundo, me dava vários exercícios para reproduzir e copiar dentes naturais em cera”, conta. Foi na prática e nesse ritmo que ele descobriu sua grande habilidade para o ofício.

Assim, em 1999, Murilo saiu de Curitiba e foi para São Paulo fazer o curso de formação técnica em prótese dentária no Senac. “Por lá, eu tive a oportunidade de estagiar em laboratórios de profissionais renomados, como Elias Rosa, Valdir Romão, Orlando Garrido Filho e Paulo Kano. Também aproveitei para cursar programas de aperfeiçoamento com professores como Dario Adolfi e Paulo Kano”, detalha.

Dois anos depois, quando voltou para a terra natal, Calgaro estava decidido a se especializar em cerâmica e atuar nessa área do laboratório da família. “Ao participar do processo de produção, percebi que não seria um técnico de produção. Estava muito claro que o meu foco seria a personalização. O professor Paulo Kano teve um papel muito importante nessa decisão”, comenta.

O curitibano começou, então, a executar trabalhos de personalização no laboratório da família, o que foi o embrião da carreira solo que estava por vir. “Minha primeira ação foi criar o setor Trabalhos Personalizados By Murilo Calgaro. Desenvolvi um protocolo de trabalho para que os dentistas pudessem transmitir a proposta de personalização aos pacientes. Eu ia aos consultórios e fazia um bom briefing para compreender melhor a necessidade estética de cada caso, dando atenção especial aos processos de aplicação de cerâmica e companhamento das provas”, relata.
 

Murilo Calgaro Dental Institute: espaço exclusivo para a atualização profissional de TPDs.


 

EVOLUÇÃO PERSONALIZADA

Segundo Calgaro, após algum tempo nesse fluxo, ficou claro que misturar dois tipos de serviços – personalização e produção de larga escala – dentro de um mesmo laboratório não era a melhor escolha. Dessa forma, em 2005, ele inaugurou o Studio Dental, focado em trabalhos personalizados. “Meu trabalho é caracterizado principalmente pelo cuidado e exatidão ao interpretar os dentes naturais, utilizando ferramentas que me façam chegar o mais próximo possível da natureza”, descreve. Também foi nesse ano que ele partiu para a docência, ministrando cursos de atualização para profissionais da área. “Ao longo do tempo, fui percebendo que a melhor forma de ajudar meus colegas de trabalho era por meio do ensino e do compartilhamento de ideias”, acredita.

No início, o laboratório tinha apenas três funcionários. Em 2007, com a ascendência do negócio e a demanda por cursos aumentando cada vez mais, Calgaro decidiu priorizar a docência. Para dar continuidade ao trabalho laboratorial, o TPD Alexandre Santos tornou-se seu sócio no Studio Dental. “Dois anos depois, deixei o laboratório nas mãos do Alexandre e fui morar na Bélgica para assumir o laboratório do Dr. Eric Van Dooren. Lá, tive uma experiência fantástica e desenvolvi vários trabalhos e publicações. Junto com o Van Dooren e com o Christian Coachman, consegui explorar e entender melhor o mercado fora do Brasil, adquirindo conhecimentos e novas técnicas”, relembra.

Ao retornar ao País, manteve o compromisso de voltar à Bélgica uma vez por mês, fazendo com que decidisse definitivamente entre o laboratório e a paixão pelo ensino. Assim, Alexandre Santos deu continuidade ao laboratório e Calgaro saiu da sociedade para iniciar uma nova empreitada, o Murilo Calgaro Dental Design Institute. Em funcionamento até hoje, é dedicado a oferecer uma experiência de ensino única para técnicos em prótese dentária, com base em tudo o que ele aprendeu – e ainda aprende – no Brasil e na Europa.
 

Calgaro ao lado de Christian Coachman.


DO HOJE PARA O AMANHÃ

A estrutura oferecida aos alunos do instituto conta com um parque digital com a mais avançada tecnologia CAD/CAM, além de todas as outras possibilidades para treinar profissionais que estão iniciando na carreira e querem estar preparados para um futuro digital.

Na visão de Calgaro, a tecnologia oferece novas possibilidades, porém, deve ser analisada com muita cautela. “Acredito na conexão entre o universo analógico e o digital. O primeiro permite a excelência do segundo. Mas, se por um lado temos a possibilidade de acelerar processos e ter previsibilidade, por outro lado me preocupa que muitos profissionais achem que as máquinas vão substituir a propriedade do conhecimento”, observa.

Depois de tantos redirecionamentos na profissão, Murilo Calgaro está arrumando as malas para uma nova fase: “Estou me mudando para Nova York, nos Estados Unidos, para assumir a direção do laboratório de produção do Dr. Michael Apa”, comemora. Esse projeto tem como foco formatar um protocolo de trabalho clínico e laboratorial, com a criação de um time de técnicos brasileiros. “Esse intercâmbio possibilitará a troca de experiências através de cursos e informações”, finaliza.