Publicado em: 24/08/2018 às 10h26

Conceito one abutment at one time

Considerada segura e previsível, a abordagem melhora a cicatrização e a estabilidade da mucosa e do osso em volta de implantes unitários imediatamente restaurados.

A instalação de um implante osseointegrável imediatamente após a extração de um dente no setor anterior vem sendo repetidamente avaliada desde que surgiu pela primeira vez na literatura. Atualmente, essa abordagem é considerada segura e previsível.

Implantes cônicos, de diâmetro reduzido e colocados mais próximos da parede palatina, seguidos do preenchimento do espaço existente entre a superfície do implante e o tecido ósseo, têm sido defendidos com a intenção de diminuir ao máximo a reabsorção óssea na face vestibular. Implantes com conexão protética do tipo cone-morse, posicionados ao menos 2 mm abaixo da crista óssea, parecem ser a melhor opção nestas situações.

Com o uso dessa abordagem, o intermediário protético (abutment) é colocado em um espaço tridimensional que possui um excelente suprimento sanguíneo, rico em fatores cicatriciais e osteogênicos, produzidos como resultado da cirurgia.

O conceito one abutment at one time1 preconiza a não remoção de pilares colocados no momento da cirurgia. Esta abordagem melhora a cicatrização e a estabilidade da mucosa e do osso em volta de implantes unitários imediatamente restaurados, posicionados abaixo da crista óssea2. A repetida remoção e recolocação do pilar protético durante a fase cicatricial, ou mesmo após a osseointegração do implante, compromete o selamento tecidual e o equilíbrio biológico criado neste espaço ao redor do implante/pilar, podendo ocasionar certa reabsorção óssea e recessão da mucosa peri-implantar.

É importante ressaltar que, previamente à conclusão protética, cada caso deve ser analisado individualmente. Em pacientes com fenótipo gengival desfavorável (delgado), o pilar protético metálico, instalado no momento da cirurgia, poderá comprometer o resultado final pelo escurecimento tecidual. Sua substituição por pilares personalizados em zircônia deve ser considerada, mesmo conhecendo os riscos que esta manobra poderá ocasionar na estabilidade dos tecidos peri-implantares.

Figuras 1 e 2 – Imagens iniciais do caso. Observe a coroa metalocerâmica insatisfatória no dente 22. Após a remoção da prótese, constatou-se a presença de uma raiz fraturada.

 

Figuras 3 e 4 – A exodontia minimamente traumática do dente 22 foi realizada e o implante foi instalado no local da extração (Due Cone 3,5/11 mm – Implacil De Bortoli). Cirurgia realizada pelo Prof. Dr. César Augusto Magalhães Benfatti.

 

Figuras 5 a 7 – Seguindo o conceito one abutment at one time, o pilar protético foi selecionado e instalado (munhão CM, linha Smart – Implacil De Bortoli), e uma coroa de transição foi temporariamente cimentada.

 

Figura 8 – Após três meses, observe a cicatrização e a estabilidade tecidual ao redor do conjunto implante/pilar protético.

 

Figura 9 – Coroa cerâmica confeccionada com infraestrutura em zircônia tetragonal estabilizada por ítria (Y-TZP), e revestimento em cerâmica feldspática. (Trabalho da TPD Karina Nunes Pessoa).

 

Figuras 10 e 11 – Coroa cerâmica posicionada em boca. Observe a perfeita interação com os tecidos moles e com os dentes naturais da paciente.

 

Figura 12 – Coroa cerâmica posicionada
em boca. Observe a perfeita interação
com os tecidos moles e com
os dentes naturais da paciente.
Figura 13 – Radiografia periapical final do caso.
A não remoção do pilar protético colocado
no momento da cirurgia melhora a cicatrização
e a estabilidade do tecido ósseo.


 

Referências
1. Degidi M, Nardi D, Piattelli A. One abutment at one time: non-removal of an immediate abutment and its effect on bone healing around subcrestal tapered implants. Clin Oral Implants Res 2011;22(11):1303-7.
2. Degidi M, Nardi D, Daprile G, Piattelli A. Nonremoval of immediate abutments in cases involving subcrestally placed postextractive tapered single implants: a randomized controlled clinical study. Clin Implant Dent Relat Res 2014;16(6):794-805.

 

 

Diego Klee

Professor associado da disciplina de Prótese Parcial – UFSC; Doutor em Odontologia Restauradora e Prótese Dentária – Unesp/SJC.