Publicado em: 02/10/2018 às 08h36

Márcio Breda e o poder da transformação

Os caminhos que levaram o capixaba à Prótese Dentária não foram fáceis ou triviais, mas foram trilhados com determinação e muito incentivo na busca pelo sucesso.

Márcio Breda investe em tecnologia para oferecer melhor qualidade nas entregas. (Imagens: divulgação)

 

Por Andressa Trindade

Aos dez anos de idade, quando precisou acompanhar o irmão recém-admitido em um laboratório de prótese dentária, o capixaba Márcio Breda não imaginava que essa também se tornaria sua rotina no futuro, sua profissão e, acima de tudo, uma paixão.

Ele morava em um bairro perigoso de Vitória, no Espírito Santo, e a escola onde estudava entrou em greve, então, por sugestão da mãe, foi para o trabalho com o irmão mais velho, Jorge Elias Breda – que mais tarde se graduou em Odontologia. “O Jorge percebeu logo cedo minha habilidade manual, precisão e interesse por tudo o que envolvia esse universo. Ele investiu muito em mim, sempre me incentivando, orientando e, principalmente, incutindo valores importantes para eu me tornar um bom profissional”, detalha Márcio Breda, hoje com 42 anos.
 

De trás para frente

O caminho que o levou ao sucesso foi o inverso do que normalmente acontece. Como não havia escolas de formação para TPDs em Vitória, Márcio, que tinha apenas 16 anos de idade, tornou-se sócio do irmão no laboratório Manzoli Prótese Odontológica e somente depois de ter o próprio negócio foi fazer um curso profissionalizante na área.

No ano 2000, com o diploma recém-conquistado na Faculdades Integradas Espírito-Santenses (Faesa), o TPD começou uma rotina intensa de ministrar cursos, quando foi convidado pela Wilcos – empresa de produtos odontológicos – para integrar um grupo de brasileiros que participaria de um treinamento da Vita Zahnfabrik, na Alemanha. “Ao retornar, me tornei consultor técnico da Wilcos/Vita. Mas, dois anos mais tarde, voltei à Alemanha e me credenciei como consultor latino-americano”, afirma.

Em ritmo acelerado, o reconhecimento nacional e internacional foi expandindo os horizontes de Márcio, que escreveu e publicou artigos em periódicos nacionais e internacionais, como o Journal of Prosthetic Dentistry. Hoje, além das atividades relacionadas ao laboratório, ele se dedica a ministrar cursos em países da América do Sul e Central.


 

Márcio Breda se dedica à Prótese Dentária há 31 anos. 


Fôlego para crescer

Fundado por Márcio e Jorge em 1992, o Manzoli Prótese Odontológica, cujo nome homenageia o sobrenome da parte materna da família, teve um início tortuoso e difícil. Os trabalhos eram escassos e insuficientes para sustentar a empresa, mesmo assim a dupla seguiu em frente. “Tínhamos muitas ideias, porém, poucos recursos e equipamentos ruins”, lembra Breda.

Em 2004, Jorge ingressou na faculdade de Odontologia e deixou o laboratório nas mãos do irmão, que tinha 18 anos de idade. “Foi quando meu ciclo, de fato, iniciou. Assumi o laboratório e nunca mais parei. Fiz muitos investimentos em inovação e estrutura física. Passei a ser requisitado por vários profissionais renomados de Vitória, o que ajudou a projetar o nome da empresa e nos posicionar definitivamente no mercado”, conta.

A guinada que levou o negócio ao sucesso teve início com a compra de um forno cerâmico importado, responsável por melhorar excepcionalmente a qualidade dos trabalhos entregues. A partir dali, tudo mudou e os investimentos passaram a ser frequentes, com motores para toda a equipe, fornos, fundição por indução e sistema CAD/CAM. “Hoje, alinhar o laboratório aos padrões europeus está mais simples, embora ainda seja caro. No passado, mesmo investindo bastante dinheiro, nossos fornos cerâmicos tinham bombas de vácuo de geladeira, os motores eram de chicote e vibravam muito, além dos jatos de areia que eram de péssima qualidade. Atualmente, toda a metalurgia, ceras e provisórios são feitos no CAD, que introduziu na prótese o desenho digital e uma nova linguagem que fez a diferença”, compara Márcio Breda.

Antes de comentar sobre tecnologia, ele gosta de falar sobre pessoas – algo primordial e que faz tanta diferença na Prótese Dentária. “A maior riqueza de um laboratório é o material humano. Conto com oito colaboradores, que formam uma equipe fantástica e que entendem exatamente minha filosofia de trabalho. Graças a eles, desenvolvemos trabalhos incríveis”, ressalta.

Contabilizando 31 anos de carreira, Márcio considera viver seu auge profissional e pretende desfrutar ao máximo essa fase. Especialista em cerâmica e apaixonado por metalocerâmica e cerâmica sobre refratário, ele acredita que todo TPD é um desenvolvedor na essência.

Embora atualmente esteja focado na área da Estética e se dedique a aprimorar técnicas de recobrimento para metalocerâmica e gengivas cerâmicas, ele transmite com clareza a percepção de como a Prótese Dentária tem evoluído, juntamente com outras áreas da Odontologia. “Dá muito orgulho observar que temos laboratórios que mais parecem obras de ficção científica, tamanha sofisticação e modernidade. No entanto, vejo que o futuro da Prótese Dentária está no equilíbrio entre a tecnologia e o artesanal, e acredito que em pouco tempo as inovações mudarão radicalmente a maneira de trabalhar”, opina.
 

Mais e mais projetos

Além de ficar atento aos rumos da tecnologia e às demandas do mercado, para o futuro, Márcio Breda faz planos de ampliar os horizontes como palestrante e aprimorar ainda mais seus cursos. “Adoro ministrar aulas práticas e sempre quero que meus alunos consigam absorver o conteúdo com facilidade, por isso priorizo métodos de ensino desburocratizados. Meu objetivo é ser um técnico explicador, e não um técnico inacessível”, justifica.

As horas dedicadas ao laboratório e às salas de aula são equilibradas com outras paixões: a música, a família e a calmaria da natureza. “Eu sou músico e guitarrista, e já toquei em algumas bandas de garagem. Recentemente, descobri o amor pela vida no campo, então, quando não estou no laboratório, fujo para o sítio e me perco cuidando das coisas de lá”, afirma.

Quando questionado sobre o melhor projeto da sua vida, a resposta emocionada está na ponta da língua: a filha de nove anos. “Nós curtimos as mesmas coisas e isso me dá muita satisfação. No fundo, sei que esse é o meu maior legado. Na Prótese Dentária, sinto-me um bom profissional, mas como pai, eu me sinto único”, finaliza.