Publicado em: 02/10/2018 às 08h50

Zircônia monolítica: uma nova possibilidade na Prótese Dentária

Diego Klee apresenta caso clínico em que emprega pilar protético sobre implante em zircônia altamente translúcida.

A associação de tecnologias digitais com diferentes materiais cerâmicos é responsável por novas opções de tratamento na Prótese Dentária, dentre as quais as coroas monolíticas confeccionadas em zircônia vêm mostrando forte destaque. A zircônia é um dos materiais restauradores indiretos que apresentou maiores avanços em um curto tempo e vem sendo comercializada com graus variados de translucidez, cor e resistência mecânica, podendo ser empregada com sucesso em uma gama variada de tratamentos protéticos.

A zircônia tetragonal estabilizada por ítria (3Y-TZP), branca e opaca, é a representante da primeira geração. Ela contém óxido de alumínio e possui alta resistência (cerca de 900 a 1.200 Mpa) e opacidade, sendo indicada para a confecção de infraestruturas de próteses fixas e pilares de próteses sobre implantes. A alta opacidade da zircônia convencional se deve à birrefringência inerente a zircônias de fases não cúbicas, o que resulta na dispersão da luz a partir dos limites dos grãos e poros desse material.

Figuras 1 e 2 – Imagens iniciais do caso. A paciente possuía coroas cerâmicas nos dentes 13 a 23. Uma fratura radicular do elemento 22 determinou sua exodontia, instalação de um implante osseointegrado (cilíndrico HE 3,3 x 10 mm, Implacil De Bortoli – São Paulo) e a confecção de uma nova coroa cerâmica.

 

Uma segunda geração de zircônia tetragonal estabilizada por ítria apresenta uma modesta melhora da translucidez pela redução na concentração de alumina e alteração nos parâmetros de sinterização, permitindo obter infraestruturas mais translúcidas.

Uma mudança efetiva na translucidez da zircônia foi alcançada com o emprego de maior quantidade de ítria (4Y-PSZ e 5Y-PSZ) e aumento significante na quantidade de fase cúbica. Zircônias altamente translúcidas (HT – high-translucency zirconia) e ultratranslúcidas (cubic ultratranslucent zirconia) são as representantes da terceira geração. Esses materiais têm sido indicados para a confecção de peças ultrafinas como facetas cerâmicas e coroas monolíticas. Entretanto, na medida em que uma maior quantidade de fase cúbica está presente na microestrutura, uma menor resistência pode ser observada nesses materiais.

Uma limitação das zircônias brancas é a necessidade de coloração, que geralmente se dá por meio da imersão das peças usinadas em soluções corantes antes da sinterização (dipping tecnhique) ou pela pintura manual com soluções corantes (brush infiltration technique).

Figura 3 – Imagem digital obtida após o escaneamento dos modelos de trabalho (Identica Hybrid, Medit Scanners). Empregando um software apropriado (Dental CAD 2.2 Valletta, Exocad), o técnico executou o desenho digital do pilar e da coroa a partir de um banco de imagens digitais.

 

As zircônias translúcidas de terceira geração também podem ser coloridas por imersão, embora muitas delas já estejam sendo comercializadas em versões coloridas. O uso dessas soluções pode alterar o comportamento mecânico do material, o que geralmente está relacionado à incorporação dos óxidos colorantes no interior do mesmo.

Recentemente, uma zircônia graduada (ML – multilayered zirconia) foi lançada no mercado como alternativa ao processo de coloração por imersão ou pintura. Esse material é apresentado na forma de blocos graduados, tanto em cor quanto em translucidez, o que permite que a prótese seja confeccionada com características similares à dentição natural. Apesar do avanço rápido nas propriedades óticas e mecânicas das zircônias odontológicas, esse material tem limitações em relação à cimentação, necessitando de tratamentos diferenciados de superfície, tais como o jateamento, com ou sem deposição de sílica, e o emprego de adesivos à base de MDP (10-me tacriloiloxidecil dihidrogênio fosfato). Esse fato impacta especialmente em casos de facetas cerâmicas, onde a adesão ao tecido dental é imprescindível para obter sucesso e garantir a longevidade clínica dessas restaurações.

No caso clínico a seguir, empregamos um pilar protético sobre implante em zircônia altamente translúcida e coroa monolítica em zircônia usinada a partir de um bloco graduado (multilayer) em cor e translucidez.

 

Figuras 4 e 5 – Desenho digital do pilar. No detalhe, a conexão hexagonal à plataforma do implante.

 

Figuras 6 e 7 – Desenho digital do pilar e coroa unidos, e da coroa isolada.

 

Figura 8 – Pilar em zircônia (HT, Upcera Dental Technology) e coroa monolítica em zircônia (TT Multilayer A2, Upcera Dental Tecnology) sobre o pilar.

 

 

Figura 9 – Visão digital do perfil
de emergência da coroa.
Figura 10 – Conjunto pilar/coroa
em zircônia sendo posicionado em boca.

 

Figuras 11 e 12 – Projeto digital e o resultado final, com a nova coroa monolítica em zircônia do elemento 22 posicionada em boca.

 

 

Diego Klee

Professor associado da disciplina de Prótese Parcial – UFSC; Doutor em Odontologia Restauradora e Prótese Dentária – Unesp/SJC.

 








 

Colaboradores:

Cláudia Ângela Maziero Volpato

Doutora em Odontologia e professora associada da disciplina de Prótese Parcial – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

 

 





 

Carlos Prux Landmeier

Técnico em prótese dentária – CED – Centro de Escaneamento Dental, em São José (SC).

 
 

 

 





 

Sérgio Araújo

Técnico em prótese dentária – Araújo Atelier Odontológico, em Florianópolis (SC).