Publicado em: 19/11/2018 às 09h35

Celebration PróteseNews promove imersão na Prótese Dentária

Em sua terceira edição, o encontro reuniu o que há de mais recente em tecnologias e procedimentos clínicos e laboratoriais.

A programação científica do encontro foi composto por quatro cursos de imersão. (Fotos: Panóptica Multimídia)

Colaboração: Renata Faria


Desenhado especialmente para ampliar e aprimorar a integração clínico-laboratorial, o Celebration PróteseNews comemorou mais uma edição de sucesso, realizada de 4 a 5 de outubro, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo.

O evento nasceu com a intenção de consolidar toda a cadeia de profissionais que envolve a Prótese Dentária – desde clínicos, professores, pesquisadores, laboratórios e fabricantes até os alunos – e com a missão de fortalecer os tratamentos odontológicos, em uma evolução contínua e crescente.

Nesta edição, a programação científica foi composta por quatro cursos de imersão ministrados por Sidney Kina, Dario Adolfi, Marcos Fadanelli e Laerte Schenkel. “Nós idealizamos esse encontro pensando em como todas as informações transmitidas seriam interessantes para o desenvolvimento dos profissionais e dos tratamentos. Aproveitamos ao máximo os dois dias de dedicação exclusiva à Prótese Dentária”, explicam Marco Antonio Bottino e Renata Faria, presidente e coordenadora geral do evento, respectivamente.

Discussões sobre novas tecnologias e procedimentos avançados de Reabilitação Oral deram o tom ao Celebration PróteseNews 2018, que recebeu mais de 150 participantes de 16 estados brasileiros. Além das aulas, os congressistas também tiveram acesso à exposição promocional composta por 50 empresas da área odontológica.

Confira a seguir os principais assuntos abordados por cada ministrador.
 

Novos conceitos reabilitadores

Em uma excelente abordagem sobre reabilitação oral, defendendo a ideia de uma Odontologia mais simples, menos invasiva, menos complexa e muito mais rápida, Sidney Kina discorreu sobre o tema “Prerrogativas da reabilitação bucal na era adesiva”.

A filosofia adesiva muda muito o conceito de fazer restauração, especialmente o conceito das próteses. De forma muita elucidativa, ele mostrou a importância de conhecer as características dos materiais estéticos e suas especificações para obter a adequada adesão aos cimentos. A adesão é alcançada ao conseguir unir diferentes estruturas, sendo capaz de transferir a carga de um substrato para o outro. Essa capacidade transforma uma restauração protética do seu conceito clássico de sobreposição para um conceito diferente.

Uma abordagem muito interessante foi feita sobre a utilização de retentores intrarradiculares. Uma série de trabalhos científicos sobre o tema foi discutida, o que proporcionou ao público uma excelente elucidação acerca das indicações, vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de retentores, bem como as melhores estratégias para sua utilização.

O professor também mostrou detalhadamente os preparos dentais e sua importância para o sucesso nas reabilitações adesivas. Ele recomenda o preparo minimamente invasivo respeitando o adequado eixo de inserção, espaço para a futura restauração, sem esquecer dos aspectos estéticos, como a cor do substrato versus a cor da futura restauração.

Na mensagem final, Kina fez a seguinte observação: “Você deve ter convicção na sua filosofia para montar seu protocolo e buscar diferentes técnicas e materiais. Isso dependerá primeiramente da habilidade do profissional para conseguir o suficiente para obter bons tratamentos, sempre avaliando o perfil dos seus pacientes. Também é importante não ficar na zona de conforto e buscar constantemente as novidades para sempre tentar mudar seu protocolo para melhor. Quando se pensa simples, você consegue enxergar a essência daquilo que faz, a essência das pessoas. Assim, tudo o que fazemos fica melhor”.
 

A filosofia CAD/CAM

Com ampla experiência clínica e laboratorial, Dario Adolfi abordou o tema “Desafios clínicos e laboratoriais na utilização dos sistemas CAD/CAM”. Para ele, estamos passando por uma fase complicada, pois existe uma grande cobrança para a utilização das tecnologias CAD/CAM – não somente nos laboratórios de prótese, mas também dentro dos consultórios (com relação às impressões digitais). Segundo o professor, ainda estamos em um processo de evolução, então, não devemos esquecer o passado, não viver o presente e só pensar no futuro. Sendo assim, ele compartilhou com o público presente suas experiências “analógicas e digitais”, apresentando vários casos clínicos com essa combinação. Elucidou bem a diferença entre casos realizados totalmente com tecnologia digital – por meio de escaneamento intraoral no consultório e confecção das próteses pelo sistema CAD/CAM no laboratório – e os parciais, em que foram feitas as moldagens convencionais e os modelos escaneados no laboratório para a realização dos trabalhos protéticos.

Para ele, é extremamente importante manter um protocolo de trabalho para executar todos os desafios nas reabilitações protéticas. Adolfi considerou fundamental a utilização de materiais policromáticos para garantir melhor qualidade estética final. Nos diversos casos clínicos apresentados, mostrou a importância das relações intermaxilares e do checklist estético, considerando fatores indispensáveis para evitar erros nas reabilitações.
 

Implante em área estética

O professor Marcos Fadanelli iniciou a apresentação com a pergunta do seu tema: “Prótese implantossuportada em área estética: o que devemos saber?”. A pergunta é desafiadora porque as próteses no setor anterior são as mais complicadas para obter boa solução estética, seja sobre dentes ou implantes. Ao reabilitar esse setor com implantes osseointegrados, contamos com alguns fatores que, quando ausentes, não conseguimos um bom resultado estético, como: a altura da margem cervical do dente a ser substituído precisa ser semelhante ou igual ao dente contíguo; o arco côncavo deve estar presente com as papilas mesial e distal; e o perfil de emergência deve estar bem definido. Se estas estruturas não estiverem definidas, dificilmente haverá boa estética.

Sabe-se também que estes tecidos podem ser recuperados com o condicionamento dos tecidos moles, remodelando e devolvendo estas características.

Na atualidade, contamos com a possibilidade de fazer a extração, a instalação do implante e, com provisórios, colocar carga e preparar o epitélio interno peri-implantar, mantendo as estruturas e o nível da margem gengival. O que ajuda muito é a possibilidade de confeccionar pilares cerâmicos personalizados após o período de cicatrização, os quais podem ser obtidos por meio de moldagens tradicionais ou digitais copiando exatamente a região interna. Esses pilares serão confeccionados com o correto perfil de emergência, restabelecendo o contorno gengival.

Segundo Fadanelli, hoje, o mais importante para obter sucesso na instalação imediata de implantes pós-extracional é o equilíbrio entre a estética rosa e branca. Depois de um implante instalado, nenhum paciente admite a ocorrência de recessão gengival, perda de papila e de volume vestibular, considerando que isso é uma falha e que não deve acontecer. Portanto, no seu ponto de vista, a implantação em posição ideal e com procedimentos de reconstrução alveolar e de provisionalização imediata é a chave para o sucesso em logo prazo. O professor mostrou toda a sua filosofia de trabalho, apresentando casos clínicos muito bem resolvidos estética e funcionalmente.
 

Harmonia e integração estética

Em sua aula com o tema “Quando se rompe o equilíbrio”, Laerte Schenkel foi surpreendente na forma de apresentação e nos conceitos de uma Odontologia atual, que se baseia na estética, funcionalidade e longevidade das reabilitações protéticas. O conceito de que os pacientes perdem as referências estéticas e funcionais foi abordado baseado na experiência clínica desenvolvida durante anos por Schenkel nos tratamentos de seus pacientes e nas evidências científicas observadas. Este conjunto o fez propor uma “nova” maneira de reabilitar bocas e oclusões.

O professor iniciou fazendo uma análise facial e avaliando a linha média sagital, a posição mandibular em relação a esta linha e a posição e forma dos arcos dentais. Ele levou em conta o plano oclusal e a dimensão vertical, além de conceituar esses dados como essenciais para planejar e executar a reconstrução ou reabilitação oral. Como tudo está ligado à mandíbula, que é o único osso móvel da face, Schenkel considera que esta estabilidade depende de músculos, nervos, ligamentos e outras estruturas anatômicas, que darão o equilíbrio buscado pelo paciente. O entendimento destes fatores conduz a um protocolo estabelecido pelo ministrador, com o intuito de tratar integralmente o paciente com um único objetivo: devolver plenamente o equilíbrio rompido. A apresentação foi simplesmente espetacular e elucidativa a todos os participantes.