Publicado em: 12/02/2019 às 09h10

Como evitar a inflamação peri-implantar em casos de coroas sobre implantes cimentadas com cimento resinoso sobre munhão universal em sistemas cone-morse?

Na coluna Pergunte ao especialista, Eduardo Miyashita responde aos leitores da revista PróteseNews.

“Como evitar a inflamação peri-implantar em casos de coroas sobre implantes cimentadas com cimento resinoso sobre munhão universal em sistemas cone-morse?”

Pergunta enviada por Ivacy Pereira, de Maceió (AL).

 

Eduardo Miyashita – Em casos de coroas sobre implantes cimentadas com cimento resinoso sobre munhão universal, devido à profundidade intramucosa do término marginal da coroa, aumenta-se o risco de mucosite peri-implantar quando há excesso de cimento – que nestas situações é de difícil remoção. Uma alternativa são os cimentos convencionais de reação ácido-base, como o fosfato de zinco e o cimento de ionômero de vidro tipo I, pela maior facilidade na remoção dos excessos. Entretanto, a dissolução pode apresentar a descimentação das coroas.

Os cimentos resinosos são preferíveis pela melhor adesão e resistência em fina espessura e baixa solubilidade. No entanto, a eventual remoção de excesso é um aspecto crítico neste tipo de situação clínica, podendo gerar inflamação da mucosa peri-implantar. Uma alternativa é a retirada prévia do excesso do agente de cimentação com o auxílio de uma réplica do munhão universal inserida no interior da coroa preenchida com o cimento resinoso. Isso promoverá a eliminação do excesso do agente de cimentação antes da inserção no pilar instalado na boca do paciente.


Caso clínico – Cimentação de coroa de zircônia sobre munhão universal no dente 21.

Figura 1 – Vista inicial do sorriso com implante cone-morse instalado na área do dente 21.

 

Figura 2 – Vista oclusal do munhão universal instalado no implante cone-morse, na área do dente 21. Observe o excesso de cimento temporário no pilar.

 

Figura 3 – Vista vestibular
da coroa de zircônia.
Figura 4 – Vista palatina da coroa de zircônia
e perfil de emergência da coroa na área cervical.

 

Figura 5 – Vista vestibular do modelo de trabalho com a réplica do munhão universal em posição, com a remoção da gengiva artificial de silicone na região cervical.

 

Figura 6 – Vista vestibular do modelo de trabalho com a coroa de zircônia em posição, com a remoção da gengiva artificial de silicone na região cervical.

 

Figura 7 – Colocação do cimento resinoso autoadesivo (Rely X U200, 3M Espe) no interior da coroa.

 

Figura 8 – Coroa de zircônia posicionada sobre a réplica do munhão universal no modelo de trabalho. Observe o escoamento do excesso do agente de cimentação resinoso.

 

Figura 9 – Coroa de zircônia posicionada sobre o munhão universal e cimentada sob pressão. Observe a isquemia transitória na região cervical da coroa.

 

Figura 10 – Vista aproximada por vestibular sem apresentar excessos visíveis do cimento.

 

Figura 11 – Fotopolimerização com fotopolimerizador de alta potência (Elipar DeepCure, 3M), com 1.470 mW/cm2, para melhor eficiência do agente de cimentação dual.

 

Figura 12 – Vista final do sorriso.

 


 

Eduardo Miyashita
 

Professor titular do Depto. de Odontologia, disciplina de Prótese Dental – Unip/SP; Doutor em Odontologia Restauradora – Unesp/SJC.