Publicado em: 12/02/2019 às 09h41

A união entre o clássico e o contemporâneo

Willian Naves de Oliveira e Vinicius Ortega Brandão mostram conceito já conhecido, mas adaptado aos novos materiais e técnicas disponibilizadas pelas pesquisas.

Não há um caso igual a outro no consultório odontológico, assim como não há uma solução igual a outra no laboratório de prótese. Se dificuldades e limitações compõem o cotidiano nos dois ambientes, criatividade e superação também permeiam os talentos que os habitam, sempre em uma atmosfera de integração e entendimento, alicerçados na ciência e no conhecimento.

Na eterna busca da Odontologia pelos melhores resultados, o sucesso, por vezes, é medido pela capacidade da equipe técnico-dentista em produzir soluções além do senso comum, fora das receitas mais tradicionais e conhecidas.

Sintonizados com a tecnologia e o ganho de tempo que seu uso nos permite, a seguir, os jovens profissionais Willian Naves de Oliveira (TPD) e Vinicius Ortega Brandão (CD) mostram um conceito já conhecido, porém adaptado aos novos materiais e técnicas que a pesquisa tem disponibilizado ao mercado nos últimos anos.

Figura 1 – Situação inicial. Paciente relata insatisfação com o sorriso.

 

Figura 2 – A análise inicial revela a existência de problemas multifatoriais e razões que justificam a busca do paciente por mais conforto.

 

Figura 3 – Ciente de que a longevidade da reabilitação é decorrente da mecânica bem resolvida – via plano oclusal, guias corretamente reconstruí dos e paciente devidamente orientado sobre a complexidade oclusal e esté tica do caso –, o paciente optou por uma soluç ã o mais dinâmica e que pudesse mitigar os problemas que o afligiam. Planejamento em ordem cronológica: montagem no articulador, enceramento para diagnóstico manual, muralha índex em silicone pesado, mock-up em resina bisacrílica para um test drive, preparo, moldagem e temporização com provisórios em resina bisacrílica. Tempo de conclusão: cinco dias úteis.

 

Figura 4 – Desafio imposto: o substrato do elemento 11 é um dente vivo e, portanto, estético. Já o elemento 21 apresenta um núcleo metálico de longa data e, do ponto de vista cromático, bastante desfavorável. O que fazer para reduzir as dificuldades relacionadas à diferença de cor do substrato entre os dois centrais superiores?

 

Figuras 5 e 6 – Por conta do desgaste previamente pensado durante o planejamento, e por se tratar de um núcleo de reforço pré-existente, criou-se um espaço adequado para aquela que viria a ser a solução adotada: colocar uma infraestrutura em dissilicato, esculpida manualmente e injetada com a pastilha e-max HO1. A cor escolhida deve apresentar opacidade e valor suficientemente calibrados para mascarar o fundo escurecido pelo poste metálico. Antes disso, fez-se necessária a tomada de cor do substrato estético do 11 com a escala de cores A-D, a despeito do fato de existirem escalas próprias para esse procedimento.

 

Figuras 7 a 11 – A partir desse ponto, em nome da previsibilidade, optou-se pelo fluxo digital: o duplo escaneamento, que é a digitalização dos preparos (com a coifa de infraestrutura do 21 assentada), o enceramento diagnóstico manual e, por fim, a sobreposição das imagens.

 

Figura 12 – Coroas laminadas usinadas em cera, injetadas com a pastilha e-max MT A1 e maquiadas para alcançar a cor final A2.

 

Figura 13 – Nota-se a homogeneidade de cor entre as coroas e a coifa de infraestrutura. Ao final das etapas clínico-laboratoriais, a cor da restauração é o resultado da combinação de vários interferentes: da cor do substrato; do grau de reflexão de luz do substrato; da espessura da coifa de infraestrutura; da cor do cimento; do volume de cerâmica da restauração final; e da translucidez dos materiais envolvidos.

 

Figuras 14 a 16 – A dinâmica da luz foi preponderante na escolha do agente restaurador. Optou-se pela técnica de maquiagem para que a equalização do material restaurador pudesse ajudar a diminuir ou eliminar os problemas decorrentes da cor heterogênea do fundo – decisão que se mostrou acertada.

 

Figuras 17 a 19 – Forma ajustada e com a definição das áreas de reflexão e deflexão, linhas de brilho, áreas de transição, áreas de contato, abertura das ameias incisais e observação do zênite gengival. A face vestibular apresenta leve texturização e brilho acetinado.

 

Figuras 20 e 21 – Verificação de praxe do conjunto. Nota-se o conjunto que receberá a dupla cimentação. Ressalta-se o fato de que a coifa de infraestrutura receberá o condicionamento com ácido fluorídrico 10%, tanto na superfície interna quanto na externa.

 

Figuras 22 a 30 – Resultado final.

 

 

 

 
   

Coordenador:

Hilton Riquieri

Especialista, mestre e doutor em Prótese Dentária pelo ICTUnesp, São José dos Campos/SP.

 

 

 

 
   


Autores convidados:

Vinicius Ortega Brandão

Especialista em Dor Orofacial pelo Hospital Israelita Albert Einstein; Especializando em Prótese e Reabilitação Bucal pela Fundecto/USP; Atuação em clínica particular, em São Paulo.

 

 

 
   

 

Willian Naves de Oliveira

Técnico em prótese dentária pela Escola Paulista de Prótese; Ceramista com dedicação nas áreas de Fotografia, Leitura e Mapeamento de Cor e Estratificação de Dentes Personalizados; CAD designer Exocad/Zirkonzahn, com expertise em fluxo digital de trabalhos; Proprietário do Laboratório ProLab, em São Paulo.