Publicado em: 12/02/2019 às 09h56

Núcleos personalizados em fibra de vidro pela tecnologia CAD/CAM

Diego Klee apresenta caso clínico onde foram confeccionados núcleos anatômicos em fibra de vidro pelo sistema CAD/CAM para os elementos 11 e 21.

A reabilitação funcional e estética de dentes endodonticamente tratados, com perda substancial de estrutura dentária, muitas vezes requer restauração protética retida por retentores intrarradiculares compostos por uma porção radicular (pino) e uma porção coronária (base), que servirá de pilar para a futura prótese. Pinos pré-fabricados de fibra de vidro associados a reconstruções de resina composta têm sido amplamente utilizados, pois possuem boa estética e elasticidade próxima da dentina, o que permite distribuição de tensão uniforme dentro da raiz e diminui o risco de fratura radicular.

Contudo, o deslocamento dos pinos é uma falha frequentemente relatada em restaurações desta natureza. A forma do canal radicular e a espessura do cimento em torno do pino são fatores importantes na retenção de pinos de fibra. Canais não circulares, amplos ou excessivamente cônicos determinam uma camada de cimento mais espessa ao redor do pino de fibra, podendo comprometer sua retenção ao canal radicular, facilitando o deslocamento do pino, bem como aumentando o índice de fratura induzido pela mastigação.

A personalização de pinos de fibra tem sido proposta para melhorar a adaptação a canais radiculares de formato irregular, alargados ou de grande diâmetro, reduzindo a possibilidade de descolamento ou fratura. Algumas técnicas são utilizadas para este fim, como o uso de resina composta para criar um “pino anatômico”. A utilização de retentores intrarradiculares em fibra de vidro, construídos a partir do conceito CAD/CAM, parece ser uma promissora alternativa nesta busca. O Fiber CAD Post & Core (Angelus) é um compósito de fibras de vidro e resina epóxi indicado para a confecção de núcleos anatômicos e estéticos em fibra de vidro pelo sistema CAD/CAM. Sua composição consiste em 75-80% de fibras de vidro e 20-25% de resina epóxi. Dentre as vantagens deste novo produto, podemos elencar:

1. Estética: confecção de próteses livres de metal sem a necessidade de opacificação do núcleo;

2. Resistência à fratura: pino e base confeccionados em peça única, diferente dos sistemas tradicionais de pinos de fibra revestidos por resina composta;

3. Retenção: posicionamento anatômico no conduto garante uma fina e uniforme camada de cimento;

4. Segurança: módulo de elasticidade similar à dentina que minimiza riscos de fratura da raiz;

5. Simplicidade técnica: processo de confecção similar ao núcleo metálico fundido indireto e cimentação facilitada com a utilização de cimentos resinosos autoadesivos.


No caso clínico apresentado a seguir, foram confeccionados núcleos anatômicos em fibra de vidro pelo sistema CAD/CAM para os elementos 11 e 21, empregando-se o produto Fiber CAD Post & Core (Angelus).

Figura 1 – Situação inicial do caso. Os elementos 11 e 21 apresentavam núcleos metálicos fundidos e coroas metalocerâmicas insatisfatórias.

 

Figuras 2 – Após a remoção das coroas e dos núcleos antigos, e repreparo dos dentes, as imagens digitais necessárias para a fabricação dos núcleos de fibra de vidro foram obtidas pelo escaneamento da impressão, associado à digitalização de modelos de gesso (Identica Hybrid, Medit Scanners). Empregando um software apropriado (DentalCAD 2.2 Valletta, Exocad), o técnico Carlos Prux Landmeier (CED – Centro de Escaneamento Dental) executou o desenho digital dos núcleos.

 

Figuras 3 – A. Núcleos anatômicos usinados em fibra de vidro. B. Prova realizada no modelo de trabalho. Os ajustes necessários foram feitos com brocas diamantadas.

 

Figura 4 – A cimentação dos núcleos foi realizada com cimento resinoso autoadesivo (RelyX U200, 3M Espe). A alta resistência flexural do produto Fiber CAD Post & Core (1.100 Mpa), aliada ao fato de pino e base serem confeccionados em peça única, possibilitou a confecção de núcleos em elementos com perda substancial de estrutura dentária, sem remanescentes coronários que proporcionem um efeito férula.

 

Figuras 5 – Diferentes vistas das coroas cerâmicas dos dentes 11 e 21, e laminados cerâmicos dos demais dentes anteriores, realizados com cerâmica prensada à base de dissilicato de lítio (Initial LiSi Press, GC) pelo ceramista Sérgio Araújo (Araújo Atelier Odontológico).

 

 

Diego Klee

Professor associado da disciplina de Prótese Parcial – UFSC; Doutor em Odontologia Restauradora e Prótese Dentária – Unesp/SJC.