Publicado em: 11/04/2019 às 16h45

Como realizo, em laboratório de prótese, uma coroa cerâmica parafusada em dissilicato e confeccionada em CAD/CAM utilizando link metálico?

Na coluna Pergunte ao especialista, Eduardo Miyashita e Alfredo Mikail respondem aos leitores da revista PróteseNews.

“Como realizo, em laboratório de prótese, uma coroa cerâmica parafusada em dissilicato e confeccionada em CAD/CAM utilizando link metálico?”

Pergunta enviada por Regiane Laginestra, de São Paulo, SP.

 

Alfredo Mikail Melo Mesquita – Para confeccionar em laboratório coroas parafusadas em CAD/CAM, o primeiro passo é obter um modelo de gesso com gengiva artificial transferindo a posição tridimensional da plataforma do implante. Em seguida, caso necessário, o laboratório pode beneficiar o modelo criando um perfil de emergência adequado.

Uma vez realizados estes passos, nos quais a altura de gengiva fica definida, é selecionada a altura de cinta do componente e a relação interoclusal para avaliar o espaço com o antagonista. O link metálico (no caso apresentado, base T – Implacil De Bortoli) é instalado no modelo e, então, escaneado diretamente ou com instalação de scanbody (corpo de escaneamento que é um transferente digital).

Com o link digitalizado, a coroa é desenhada, usinada e enviada ao profissional no modelo de gesso separado do link metálico. Ao receber o trabalho, o profissional deve provar o conjunto link/coroa, além de ajustar a oclusão e realizar eventuais adaptações proximais. Para a cimentação da coroa em dissilicato de lítio, deve-se condicionar a parte a ser cimentada da coroa com ácido fluorídrico durante 20 segundos, lavar durante um minuto e aplicar agente silano.

No link metálico, com a finalidade de obter maior retenção, pode-se proteger a área de cinta com tira de teflon e fazer jateamento com óxido de alumínio na área de cimentação. Dessa forma, utiliza-se a tira de teflon para confeccionar um pequeno rolo que passará por dentro da coroa até o parafuso do link metálico, o que protegerá o parafuso da entrada de cimento resinoso.

Posteriormente, é preciso passar o cimento resinoso manipulado previamente na área de cimentação do link e da coroa, removendo o excesso e realizando a polimerização. Eventuais restos de cimento podem ser eliminados utilizando uma borracha de glaze em peça reta e baixa rotação. Depois, a coroa é parafusada seguindo o torque do fabricante, e o orifício do parafuso de retenção da prótese é fechado com uma camada de teflon e resina fotopolimerizável.


 

Figuras 1 – A. Vista oclusal. B. Vista vestibular. Cicatrizador cone-morse (Implacil De Bortoli 4,5 mm x 4,5 mm).

 

Figuras 2 – A. Vista oclusal. B. Vista vestibular. Transferente de moldeira fechada parafusado no implante.

 

Figuras 3 – A. Modelo obtido com gengiva artificial com link metálico (base T – Implacil De Bortoli), sendo em azul a linha da gengiva a ser recortada para escaneamento. B. Modelo beneficiado com gengiva preparada para obtenção do perfil de emergência, base T com spray opacificador para escaneamento.

 

Figuras 4 – A. Seleção do pilar base T no software do CAD Dental Wings. B. Seleção de coroa total sobre implante.

 

Figura 5 – Escaneamento do pilar base T e delimitação da linha de término.

 

Figura 6 – Coroa desenhada finalizada.

 

Figuras 7 – Coroa de dissilicato posicionada sobre o pilar base T no modelo, após fresagem do bloco e sinterização (e.max CAD – Ivoclar Vivadent).

 

Figura 8 – Condicionamento com ácido hidrofluorídrico (5%) durante 20 segundos, lavagem durante um minuto e aplicação do agente silano.

 

Figura 9 – Para maior adesão do cimento ao link metálico, com o pilar base T parafusado em um análogo, deve-se fazer o jateamento com óxido de alumínio durante 20 segundos na área de cimentação. A região da cinta e da conexão devem estar protegidas por tira de teflon.

 

Figura 10 – Aspecto do pilar base T após o jateamento, área de cimentação rugosa e cinta lisa.

 

Figura 11 – Após a prova em boca do conjunto link metálico/coroa e dos ajustes proximais e oclusais, deve-se proceder com a cimentação da coroa ao link. Para tanto, com uma tira de teflon na forma de rolo (em azul, tira de teflon TDV), protege-se a entrada do parafuso do link da entrada de cimento resinoso (Relyx U200, 3M Espe).

 

Figura 12 – Após a manipulação do cimento, deve-se passá-lo na região de cimentação da coroa e do link, levar a coroa em posição, remover o excesso e puxar o teflon. Em seguida, fazer a polimerização com fotopolimerizador durante 20 segundos em cada face da coroa.

 

Figura 13 – Coroa parafusada sobre implante cone-morse (Due Cone – Implacil De Bortoli).

 

Figuras 14 – A. Aspecto da coroa parafusada em vista vestibular. B. Aspecto da coroa parafusada em vista oclusal após o selamento da entrada do parafuso com teflon e seguido de adesivo e resina fotopolimerizável.

 

 

 

Coordenação:

Eduardo Miyashita

Professor titular do Depto. de Odontologia, disciplina de Prótese Dental – Unip/SP; Doutor em Odontologia Restauradora – Unesp/SJC.

 

 

 

 

 

 

Colaboração:

Alfredo Mikail Melo Mesquita

Professor titular de Prótese Dentária – Unip; Professor do programa de mestrado e doutorado – Unip/Prótese e Implante; Coordenador do curso de especialização em Prótese e Implante – SLMandic/SP.