Publicado em: 20/05/2019 às 13h50

Métodos de verificação da adaptação passiva em próteses sobre implantes

Diego Klee e autores convidados debatem este importante pré-requisito para a manutenção da interface osso/implante, bem como a integridade estrutural protética.

Em próteses sobre implantes, o assentamento protético passivo – traduzido pela perfeita adaptação de próteses parciais fixas aos intermediários protéticos – é tido como um importante pré-requisito para a manutenção da interface osso/implante, bem como a integridade estrutural protética. O estresse gerado pela ausência da adaptação passiva não se dissipa com o tempo, em virtude do caráter anquilótico da osseointegração, o que confirma a necessidade da precisão no assentamento protético. Para isso, devem ser criteriosamente empregados procedimentos clínicos que verifiquem se a adaptação das estruturas metálicas aos implantes encontra-se aceitável. Esta avaliação poderá ser realizada por meio de inspeção visual, radiográfica e avaliação tátil.

Uma forma rápida e simples para avaliação inicial do ajuste da infraestrutura protética é assentar manualmente a prótese sem parafusos e aplicar pressão digital alternadamente sobre os pilares. Qualquer fulcro ou balanço presente poderá ser considerado um desajuste. A análise do assentamento passivo pode continuar com o teste de Sheffield. Ao assentar a estrutura sobre os implantes, deve-se apertar levemente os parafusos de fixação, deixar os tecidos relaxarem e se certificar de que não há mucosa interposta entre a estrutura metálica e os componentes protéticos. Um dos parafusos mais distais precisa ficar apertado, enquanto os outros necessitam estar soltos pelo menos uma volta e meia – mas, a estrutura não deve mudar de posição quando os parafusos estiverem soltos.

Esta técnica é especialmente efetiva em trabalhos extensos, nos quais podem ser observadas discrepâncias verticais. Pode ser executada no laboratório e repetida clinicamente, tornando-se de pouco valor quando há conexões submucosas. Nestas situações, radiografias periapicais podem ajudar na avaliação do ajuste da estrutura. Estas tomadas radiográficas devem ser perpendiculares ao longo do eixo do implante. Limitações anatômicas podem impedir o correto alinhamento, resultando na sobreposição de componentes que podem mascarar os desajustes e levar à falsa constatação de um ajuste passivo.
 

Figuras 1 a 3 – Verificação da adaptação clínica de barra metálica fresada em titânio (Straumann Cares). Com o aperto do parafuso localizado em um dos extremos da prótese, verifica-se a adaptação nos demais componentes (teste de Sheffield).

 

Figuras 4 a 7 – Em conexões submucosas, radiografias podem ajudar na avaliação da adaptação da estrutura metálica. Cuidado com a sobreposição de componentes que podem mascarar desajustes.

 

Após esta análise, parte-se para a avaliação tátil. Todos os parafusos são novamente apertados com chave manual até se perceber a primeira resistência. Em seguida, aplica-se o torque máximo manual com força e firmeza, iniciando pelo implante mais central, alternando-se os lados (direito e esquerdo), deixando-se por último os dois parafusos terminais. O giro dado na chave manual para o aperto final é observado e deverá ser semelhante para todos os parafusos, caso contrário, teremos um indicativo de ausência de passividade. Uma dica interessante nesta fase é utilizar a perfuracão existente na base de grande parte das chaves digitais como marcador de posição. Além disso, uma torção máxima de 180º deverá ser dada para alcançar o torque de 10 Ncm e completar o assentamento do parafuso, o que corresponde à desadaptação vertical clinicamente aceitável, e que será totalmente eliminada ao final do aperto do parafuso. Desadaptações maiores resultarão em mais resistência contra o aperto do parafuso, com torções superiores a 180º para alcançar o torque de 10 Ncm, o que indicará uma desadaptação inaceitável.

A resposta do paciente durante a prova da estrutura também deve ser cuidadosamente observada. Uma pequena sensação de pressão, que desaparece após alguns minutos, pode ser aceitável, enquanto um severo desconforto pode ser indicativo de assentamento inadequado.

Independentemente da maneira como a avaliação de assentamento passivo for conduzida, diante da constatação de sua inexistência, é importante identificar em qual componente encontra-se a discrepância, para seccionar e soldar a estrutura neste ponto, e corrigir o problema. Após esta retificação, uma nova avaliação deverá ser realizada.


 

Diego Klee

Professor associado da disciplina de Prótese Parcial – UFSC; Doutor em Odontologia Restauradora e Prótese Dentária – Unesp/SJC.

 



 

 

 

 


Colaboradores:
 

Analucia Philippi
Professora associada da disciplina de Prótese Total – Universidade Federal de Santa Catarina.


Luis André Mezzomo
Professor adjunto da disciplina de Prótese Total – Universidade Federal de Santa Catarina.


Franciele Floriani
Mestranda em Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina.


Tarla Oliveira
Mestranda em Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina.


Gabriela Sabatini
Mestranda em Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina.