Publicado em: 03/09/2019 às 13h56

Daniel Morita: talento de geração para geração

Desde criança vivenciando a rotina do laboratório, Daniel Morita seguiu os passos do pai e rendeu-se aos encantos da Prótese Dentária.

Hoje, Daniel Morita se divide entre a bancada e os cursos de aperfeiçoamento profissional. (Fotos: duvulgação)


O interesse e a curiosidade pela profissão levaram o TPD Daniel Morita a experimentar múltiplas áreas da Prótese Dentária. Conforme as técnicas avançavam, ele seguia aprendendo e se aprimorando. Tudo começou com o gesso, o que evoluiu para escultura, fundição, prótese sobre implante, carga imediata e, atualmente, cerâmica.

O ditado popular “filho de peixe, peixinho é” define muito bem a trajetória profissional de Morita, que seguiu os passos do pai Orlando da Silva, que há 55 anos fundou o atual LOF – Laboratório Orlando e Filhos. “Eu praticamente nasci nesse ambiente e desde criança estive ligado à profissão. Logo cedo me tornei office boy na empresa e fui começando aos poucos nessa prática. Quanto mais eu fazia, mais eu gostava. Minha habilidade veio com muito treino e persistência”, relembra.

Ao falar sobre esses momentos do passado, há memórias que conduzem Morita ao que ele é hoje como pessoa e profissional. Ainda pequeno, ficava fascinado ao olhar o pai trabalhando a prótese, mexendo com o motor e a lamparina que, na época, era fonte de calor para derreter a cera e esquentar os instrumentos ou, simplesmente, vê-lo na bancada com os modelos de gesso. Com essa convivência, ele também aprendeu que, para guiar um negócio, é preciso entender um pouco de tudo: desde administração e finanças até limpeza e organização do dia a dia. E todo ensinamento rendeu frutos: hoje Morita é um dos sócios do laboratório.

 

Área de produção do laboratório LOF, comandado pela família Morita.

 

Em constante formação

Quando teve certeza de que esse era o caminho que queria seguir, Morita ingressou no curso de técnico em prótese dentária, no Senac, em São Paulo, e se formou em 1993. A diversidade de áreas de atuação foi surgindo de acordo com as necessidades do laboratório e à medida em que ele participava de congressos e entrava em contato com novas técnicas.

Em 1994, Morita começou um novo capítulo na carreira ao entrar para o corpo docente da mesma instituição em que se formou, onde ficou até 2008, quando percebeu que faltava tempo para se dedicar à universidade e começou a ministrar cursos de imersão e aperfeiçoamento. Hoje, ele viaja por todo o Brasil dando aulas que enfatizam, principalmente, a prótese sobre implante e a prótese metal free. “Quando leciono, absorvo muito conhecimento. Às vezes sinto que mais recebo do que  transmito, pois acredito que todos os técnicos participantes têm uma bagagem rica e particular. Existe uma troca muito gratificante”, revela.

Mesmo com uma vasta experiência nos mais diversos procedimentos e materiais, Morita gosta de atuar em trabalhos de estética com cerâmica e implantes. “Atualmente, conseguimos fazer uma restauração bastante similar ao dente natural. As técnicas cirúrgicas estão tão avançadas que os implantes passam despercebidos. Outros casos que chamam a atenção são as reconstruções totais, por oferecerem um ganho funcional e estético enorme para pacientes desdentados. Já a cerâmica me deslumbra por ser a mais semelhante ao dente natural”, descreve. Não à toa, a principal característica de seu trabalho é reabilitar edêntulos totais ou parciais.

 

Uma vida de laboratório

Daniel Morita em uma de suas aulas
em eventos e congressos
que participa pelo Brasil.

Como esteve presente desde muito jovem na rotina do LOF, Daniel Morita acompanhou de perto as transformações do laboratório fundado em 1964, que inicialmente se chamava Laboratório Orlando e ficava no bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Depois que a família se mudou para o bairro Butantã, a empresa também trocou de endereço para facilitar o deslocamento no dia a dia.

Passados 55 anos, esse é um lugar que diz muito sobre a história da Prótese Dentária no Brasil, pois viveu a realidade e a evolução da especialidade. “No passado não havia tantos recursos e materiais. Durante muitos anos, meu pai não teve a rápida troca de informações que existe hoje – e quem sabia, mais guardava o conhecimento do que o compartilhava. Nos dias atuais, o conhecimento é extremamente rico e rápido, e pode ser obtido em cursos, redes sociais e internet”, observa Morita.

Ao longo do tempo, o laboratório passou por várias mudanças para se adequar à dinâmica do mercado. Daniel Morita entrou para o negócio da família em 1986 junto com o irmão Adriano Morita, que também é TPD e ficou 20 anos na bancada, mas atualmente trabalha na parte administrativa. “A equipe era pequena, com apenas seis funcionários. Depois de algum tempo, meu pai reduziu o número de clientes, reestruturou o quadro de funcionários e, em seguida, David Morita, meu irmão mais novo, também ingressou como técnico. Ficamos com quatro sócios, dois auxiliares e dois office boys”, detalha.

A partir de 1995, os Morita começaram a se aperfeiçoar cada vez mais, renovar a identidade do laboratório, buscar novas técnicas e oferecer produtos diferenciados, pois os clientes estavam mais exigentes em relação à qualidade. Hoje, o LOF ocupa uma área de 350 m2 e conta com 25 funcionários e três sócios (Adriano, Daniel e Orlando). “Primamos pela produção de qualidade e atendimento personalizado”, explica.

Daniel Morita tem orgulho por viver a profissão em um laboratório que une a tradição aos avanços tecnológicos. Se no princípio seu pai trabalhava com metais nobres, inclusive forjando o ouro que servia como matéria-prima, hoje a meta é investir ainda mais nos recursos digitais, com novas ferramentas e equipamentos.

Mesmo com a rotina agitada de viagens, cursos e o dia a dia de trabalho, Morita não abre mão do lazer. Além da Prótese Dentária, ele tem outras paixões: a prática de motociclismo e o tempo que passa com a filha Heloísa, de nove anos. “Meu maior hobby são as motocicletas. Viajo, passeio e participo de atividades em autódromos. Mas, o que recarrega minhas energias é ficar com a minha filha. Ela é meu néctar para os finais de semana”, sintetiza.