Publicado em: 03/09/2019 às 14h01

Correção de contorno gengival para aperfeiçoar o resultado protético

Diego Klee apresenta uma interessante alternativa para o clínico, com a realização de uma técnica conservadora.

A arquitetura gengival tem um papel fundamental na estética do sorriso: deve ter aspecto ondulado, contornando os dentes em forma de arco côncavo regular, com simetria em ambos os lados da linha média. O zênite é o ponto mais apical do contorno gengival em cada dente. Nos incisivos centrais e caninos, geralmente, está situado discretamente para a distal em relação ao longo eixo dos dentes. No caso dos incisivos laterais superiores e dos incisivos inferiores, o zênite coincide com o longo eixo desses dentes. Idealmente, os contornos gengivais de caninos e incisivos centrais devem estar horizontalmente alinhados, com o contorno gengival dos incisivos laterais suavemente mais para coronal (1 mm). A união dos zênites destes três dentes formará um triângulo simétrico em ambos os lados da linha média. Esse alinhamento simétrico, porém não uniforme, confere a naturalidade ao conjunto dental. É aceitável, embora não seja ideal, ter a altura gengival dos seis dentes anteriores no mesmo plano horizontal. Alterações neste arranjo são consideradas indesejáveis, principalmente em situações onde se planeja tratamento protético no setor anterior.

Nestes casos, para alcançar o equilíbrio estético desejado, muitas vezes são necessárias cirurgias de aumento de coroa clínica, sejam somente gengivoplastias ou suas associações com osteotomias/osteoplastias. A correção do contorno gengival no setor anterior por meio de gengivoplastia, com o uso de brocas de óxido de zircônia em alta rotação, representa uma interessante alternativa para o clínico. Por ser uma técnica conservadora, o tempo e o trauma cirúrgico são diminuídos, resultando em ausência de suturas e conforto pós-operatório para o paciente. Contudo, essa técnica demanda indicação precisa para obter um bom resultado. É imprescindível realizar uma análise gengival previamente ao procedimento cirúrgico, buscando identificar a faixa de tecido queratinizado presente.

Devem ser mantidos, no mínimo, 3 mm deste tecido para permitir adequada estabilidade após a cirurgia. Além disso, é importante um biotipo periodontal mais espesso e que a sondagem periodontal indique saúde e profundidade suficiente para o corte tecidual, sem lesar o epitélio juncional. As brocas de óxido de zircônia são utilizadas em angulação de 45º em relação ao tecido, em rotações que variam de 300 mil a 500 mil rpm, sem refrigeração. Nesta velocidade ocorrerá um corte rápido e preciso, com mínimo sangramento. Este procedimento permite uma intervenção com mínimo trauma cirúrgico, possibilitando o nivelamento dos arcos gengivais e uma rápida cicatrização tecidual.

Figuras 1 e 2 – Idealmente, os zênites de caninos e incisivos centrais devem estar na mesma altura. Nos incisivos laterais, devem estar em torno de 1 mm mais coronal em relação a estes dentes. É aceitável, embora não seja ideal, ter a altura gengival dos seis dentes anteriores no mesmo plano horizontal.

 

Figuras 3 e 4 – Situação clínica inicial: coroas de transição nos elementos 13, 12 e 22. Observe a diferença entre os contornos gengivais dos elementos 11 e 21.

 

Figura 5 – Enceramento diagnóstico do caso: planejou-se o recontorno gengival nos dentes 11 e 22. Em seguida, coroas totais nos dentes 13, 12 e 22, e facetas nos dentes 11 e 21.

 

Figuras 6 e 7 – A gengivoplastia nos dentes 11 e 22 foi realizada com broca de óxido de zircônia (Gingiva Trimmer GT 135, Meisinger) em alta rotação e sem irrigação. Observe o contorno gengival obtido logo após o procedimento clínico.

 

Figura 8 – Quatro semanas após a gengivoplastia, é possível observar uma adequada e estável arquitetura gengival. Os preparos dos dentes 11 e 21 foram realizados para permitir ao TPD um melhor arranjo dos dentes anteriores do paciente.

 

Figura 9 – Detalhe das coroas e facetas cerâmicas.

 

Figuras 10 e 11 – Caso finalizado com as coroas em posição. Observe o excelente contorno gengival obtido.

 

 

Coordenação:

Diego Klee

Professor associado da disciplina de Prótese Parcial – UFSC; Doutor em Odontologia Restauradora e Prótese Dentária – Unesp/SJC.

 

Autor convidado:

Carlos Augusto Maranghello

Técnico em prótese dental – Dell’Art, Porto Alegre (RS).